3º Manifesto Publicado sob o titulo “FEITORIA  DE  LUANDA”

 

 

 

                                         ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL

                 AMIGOS DE ANGOLA

                                  A.I.A.A.

 

AOS ANGOLANOS E FILHOS DE ANGOLA

(na Diáspora em Portugal e no Estrangeiro)

E  AOS  AMIGOS  DE  ANGOLA

 

AMIGOS  IRMÃOS:

 

A ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL AMIGOS DE ANGOLA, por abreviatura “A.I.A.A.”, com sede em Lisboa – Portugal, representa sumariamente a DIÁSPORA ANGOLANA (no Estrangeiro), composta por Angolanos e Naturais de Angola, apoiada por AMIGOS DE ANGOLA.

Esta Associação reitera mais uma vez o reconhecimento e o respeito pela Soberania do Estado Angolano, constituído formal e democraticamente pelo seu TERRITÓRIO, POPULAÇÃO e GOVERNO, como Instituição legal em conformidade com os DIREITOS PÚBLICOS NACIONAL ANGOLANO e INTERONAL.

Contudo, esta Associação apela às AUTORIDADES ANGOLANAS, quer sejam POLÍTICAS, ADMINISTRATIVAS ou POPULARES e aos MOVIMENTOS  BELIGERANTES, como por exemplo a UNITA, que cessem, duma vez para sempre, os confrontos que resultam na presente GUERRA CIVIL existente em duas fases: de 1961 a 1975 e de 1975 aos tempos actuais.

 

Este Manifesto é mais um ARGUMENTO com que se pretende justificar a necessidade urgente de se DEFINIR, sem ambiguidades, QUEM É O COLONO e QUEM É O COLONIAL existentes em Angola, até à sua Independência, com base a conseguir-se, na Diáspora angolana, o consentimento Político PARA SE OBTER uma DUPLA NACIONALIDADE:

Portuguesa ----» Angolana

Angolana ----» Portuguesa

de forma a CORRIGIR-SE se possível !, o que foi emanante do considerado, na Metrópole, como PROCESSO DE DESCOLONIZAÇÃO EXEMPLAR.

 

O presente Manifesto diz, neste caso, respeito à FEITORIA DE LUANDA, inicialmente situada na Ilha dos LOANDOS.

 

A FEITORIA DE LUANDA nasceu pelo SIGNO DA PRATA, oriunda do ESTADO AFRICANO DE CAMBAMBE, vassalo do REINO DO NDONGO (NGOLA), que usurpara o território doutros POVOS BANTUS, que, mais a sul, fundaram, por sua vez, os ESTADOS LIVRES DA KISSAMA, na margem esquerda do rio Kuanza.

 

Os Povos Bantus, oriundos do Norte e do Centro de África SAARAEANA, haviam perseguido e abatido os habitantes do PAÍS DOS BOCHIMANES, que cobria praticamente o território africano a Sul do SAARA.

Por sua vez, os povos Bantus, diferenciados uns dos outros pela respectiva época de chegada ao País dos Bochimanes, eram perseguidos, aprisionados ou mortos pelas avalanches seguintes, que tinham por objecto apossarem-se desses territórios.

A ILHA DE LUANDA era pertença (por ocupação avançada) dos Reis do Cuongo, sendo um território encaixado no Reino do NDONGO, cuja capital principal se situava ma MATAMBA, na margem esquerda do Rio CUANDO.

O ESTADO DO NDONGO tinha por limites:

-                            A Norte – Rio Dande e TERRAS DO AMBUÍLA;

-                            A Sul – Planalto do Bié;

-                            A Leste – Região do Cassange, até ao Rio Kuando;

-                            A Sudoeste – Região da Kissama, até ao Libolo.

Na ILHA DOS LOANDOS encontrava-se o “D’Jimbo” (um tipo de concha suigéniris) uma espécie de CAURI parecido com o existente no MISSIS-SIPE (na América do Norte), e que servia de MOEDA em toda a África Sub-Saareana.

Esta MOEDA era o garante do predomínio dos Kikongos (Reis do Cuongo), sendo de presumir que o D’Jimbo fora inicialmente a MOEDA DE TROCA entre os BOCHIMANES, que não eram de raça negra e que dominaram grande parte da África Central e Sul.

Com o recuo dos BOCHIMANES, progressiva e sucessivamente, empurrados até ao Desrto do Calahari (ou deserto de Moçâmedes ou do Namibe), foram o Estado do NDONGO e os ESTADOS LIVRES da KISSAMA que dominaram aquela parte do Território, com excepção da ILHA DOS LOANDOS, em poder dos Kikongos.

Foram pois os NDONGOS migrantes, chefiados por NGOLA e NZINGA, que empurraram outros bantus para além do Rio Quanza, onde fundaram os ditos Estados Livres da Kissama.

A Kissama (Região) era rica em SAL (minas de sal-gema) que os respectivos Sobas vendiam em barras, também representando MOEDA, com que as caravanas africanas e mais tarde os brancos faziam comércio no PLANALTO DO BIÉ

Por essa razão, a região da Kissama era por sua vez objecto de interesse para os conquistadores, nos quais se incluíam os Kikongos (do Reino do Cuongo); os NDONGOS e depois também os portugueses.

Esses primeiros ESTADOS do Kissama eram, entre outros, os seguintes:

MUXIMA; KITANGOMBE; KIZUA; NGOLA KIKAÍTO; KAFUXE, etc.

Convém explicar o significado dos prefixos que se seguem:

-                     Mu = aquele que tem raiz na Região depois de varridos os BOCHIMANES;

-                     Ka = o senhor ou chefe supremo da Povoação ou Região;

-                     Ki = o invasor;

-                     Lu = o Povo acomodado na Região, embora não seja considerado de RA-

           IZ.

O termo Luanda (dir-se-ia melhor LOANDO que significa ESTEIRA, é nome proveniente dessa peça do artesanato ali feito na ILHA DOS LOANDOS, que aproveitava o vime proveniente das lagoas do Kuanza, com que se fabricava também cestaria diversa além do mais).

Embora a ILHA DOS LOANDOS, estivesse ocupada pelos Kikongos, a FEITORIA dos portugueses fez-se ali com autorização dos Reis do Cuongo e dos Chefes (KA) dessa base.

Desde 1520, e mesmo antes dessa época, a Ilha dos Loandos já era transitoriamente visitada por portugueses exilados, em cumprimento de penas judiciais, na Feitoria da Foz do Rio Zaire, que era domínio dos Reis do Cuongo.

Apesar de tudo, estes pobres “degredados metropolitanos” serviam, por conta própria ou a favor dos Sobas, como mensageiros comerciais e por vezes até políticos.

Mas o ponto de partida da fundação da FEITORIA DA ILHA DOS LOANDOS aconteceu com a chegada apenas de dois portugueses, vindos do Reino do Cuongo com autorização tácita do Rei do NDONGO.  Esta deslocação deveu-se a pedido e em nome do Rei de Portugal (ao tempo D. João III que reinou de 1521 a 1557).

Os dois portugueses chamavam-se BALTAZAR DE CASTRO e MANU-EL PACHECO.

O Rei de Portugal enviou, em nome da Coroa Portuguesa, esses seus dois “embaixadores”, porque antes, o SOBA NGOLA KILUANGE o presenteara com uma quantidade expressiva de BARRAS DE PRATA.

O Rei NGOLA KILUANGE, vassalo do Reino do Cuongo, a quem pagava impostos, tornara-se independente desde 1556 e procurava vassalagem do Rei de Portugal, motivo porque enviara ao monarca português as BARRAS DE PRATA aludidas.

Tornou-se evidente que as referidas Minas de Prata estavam situadas na Kissama, sobado do Reino do NDONGO.

Desembarcados na ILHA DOS LOANDOS em 1534, os dois portugueses subiram o Rio Kuanza em canoas, indo ao encontro de NGOLA KILUANGE no reino do NDONGO.

Os “EMISSÁRIOS” obedeciam à ORDENS do Rei de Portugal de que se destacavam fazerem baptizar o Rei do NDONGO; terem autorização para estabelecer um bom ancoradouro marítimo para os navios “negreiros” ao serviço do Rei de Portugal; localizarem as Minas de Prata de CAMBAMBE e doutros minérios nobres, como o OURO; e, saber o “preço” dos ESCRAVOS e capacidade de fornecimento dessas “PEÇAS” (para “exportarem” escravos para S. Tomé e Príncipe, Brasil, Cuba e Américas).

NGOLA KILUANGE e os seus CHEFES GUERREIROS não aceitaram como bons os propósitos do Rei de Portugal, o que diplomaticamente significava o fracasso da vassalagem do NDONGO à Coroa Portuguesa, como acontecia já com o Reino do Cuongo.

O Soba NGOLA KILUANGE não aceitava também a ideia dos portugueses estabelecerem FEITORIAS na ILHA DOS LOANDOS em parceria com os Kikongos.

Pela desconfiança levantada, NGOLA KILUANGE  matou e decapitou MANUEL PACHECO e aprisionou BALTAZAR DE CASTRO, que permaneceu em cativeiro e escravatura durante seis anos, acabando por ser liberto a pedido do Rei do Cuongo.

BALTAZAR DE CASTRO voltou então à Ilha dos Loandos em 1540, seguindo depois para Portugal, para informar pessoalmente o seu Rei de tudo o que acontecera no reino do NDONGO, indicando que o ancoradouro para os navios negreiros deveria ser na BAÍA DE LUANDA, competência territorial dos Kikongos da ILHA DOS LOANDOS. Quanto às Minas de Prata nada havia a informar porque o segredo da sua localização entre os povos do NGONDO era praticamente inviolável.

Desde 1540 a 1560 os Reis de Portugal (primeiro D. João III e seguidamente D. Sebastião) “esqueceram” as MINAS DE PRATA DE CAMBAMBE e a vassalagem à Coroa Portuguesa do Reino do NDONGO, data (1560) em que o capitão português PAULO DIAS DE NOVAIS chegou pela primeira vez à ILHA DOS LOANDOS, enviado pelo jovem Rei D. Sebastião (1557 – 1578, subiu ao trono com apenas 3 anos de idade, após a morte de seu Avô D. João III, em 1557, recebendo definitivamente o poder do regente aos 14 anos - 20/01/68).

A exemplo de Pacheco e de Castro, Novais seguiu ao longo do Rio Kuanza e chegou a KABASSA (perto da actual cidade do DONDO), que era outra capital do Estado do NDONGO.

O Rei NGOLA KILUANGE fê-lo prisioneiro, e Novais ficou igualmente escravo durante seis anos, como aconteceram com Baltazar de Castro 20 anos antes.

Ao fim destes anos, NGOLA KILUANGE libertou Paulo Dias de Novais e mandou-o a Portugal, com um seu “embaixador”, a fim de se estabelecer um TRATADO DE AMIZADE E DE COOPERAÇÃO entre os Reinos do NGONDO e de PORTUGAL.

Entretanto, estalara uma REVOLTA no NDONGO porque o Soba Kiluan-ge Kissango pretendia separar-se do reino.

Em 1575, pela segunda vez, Paulo Dias de Novais chegou à Baía de Luanda, fundando de imediato a cidade de Luanda, na parte continental, frente à ILHA DOS LOANDOS, com o nome de SÃO PAULO DE ASSUNÇÃO DE LUANDA.

O D. Sebastião, ao tempo Rei de Portugal, fez que o capitão Paulo Dias de Novais fosse acompanhado, além da sua guarnição militar e oficiais das suas caravelas que os transportavam, por Padres JESUÍTAS.

Além de Envagelizarem tinham também por obrigação conquistar os ESTADOS DO NDONGO e da KISSAMA pela guerra, facto que começou a acontecer num cenário de “TERRA QUEIMADA”.

Entretanto, Novais deu ordem para que se construísse uma Igreja majestática na parte alta continental da povoação, denominada, desde o princípio, por IGREJA DOS JESUÍTAS.

Até 1580, Paulo Dias de Novais venceu as batalhas contra os Estados Africanos próximos, mas a partir desta data (em Portugal nessa época conturbada pela morte do Rei Cardeal D. Henrique, sem descendente directo, que havia sucedido ao malogrado jovem D. Sebastião que morrera ingloriamente em Alcácer-Quibir, sem descendentes, os portugueses estavam divididos e entreti-dos, em aceitar o Rei Filipe II de Espanha – tio-avô de D. Sebastião, como Rei de Portugal ou, optar por D. António Prior do Crato – filho ilegítimo de D. Luís - irmão do Rei D. João III, o qual disputou até à sua morte em 1595, com Filipe II de Espanha e já I de Portugal a Coroa Portuguesa, pois que em 19/06/80 se havia aclamado Rei, mas sem conseguir impor-se como tal, excepto em algumas zonas do País a ele fiel), o Rei do Cuongo o então NIMI NE MPANGU (D. Álvaro III, titulo concedido pelo Rei de Portugal) tornou-se sério inimigo da Coroa Portuguesa (ocupada pelos Espanhóis até 1640). Este Rei do Cuongo conseguiu formar uma “Coligação” contra os portugueses (que beneficiavam de armas de fogo), com NGONDO, JAGAS ou NZINGAS da MATAMBA envol-vendo assim o seu próprio reino do CUONGO.

Este exército era comandado por NGOLA KILUANGE.

A batalha deu-se em ANGOLEME – AKITAMBO e os portugueses saíram derrotados. A esta derrota sucederam-se outras.

O exército da “Coligação” era numeroso e poderoso !

A segunda grande batalha foi contra o exército português comandado pelo próprio Governador D. FRANCISCO DE ALMEIDA em 1594, em que este perdeu 750 homens.

Chegado o Governador (derrotado) a Luanda, a população branca, mestiça e negra, revoltou-se e obrigou-o a fugir para o Brasil.

Em 1595, a “Coligação” teve vitórias seguidas. Nessa altura, os portugueses só possuíam as Fortalezas da Muxima e de Massango que dominavam a cidade de Luanda. Não conseguiam sair das ditas fortalezas, nem tão pouco chegarem a Cambambe, que era o seu grande desejo, por causa das MINAS DE PRATA.

A “Coligação” durou ainda perto de dez anos.

Alguns Jagas da Matamba emigraram para os lados de Benguela e também mais para Sul.

Os jagas dependiam da venda de escravos aos portugueses, e por isso dedicavam-se à “guerra do KUATA! KUATA!” (Agarra! Agarra!), o que a “Coligação” não permitia fazer. Além disso, a sua capital – a MATAMBA – ficava muito longe dos portugueses, pelo que não se sentiam ameaçados por estes.

Por isso, os Jagas aliaram-se aos portugueses e formaram um exército contra o NGONDO e o CUONGO, traindo também os Povos dos ESTADOS LIVRES DA KISSAMA.

O Rei do Cuongo ficou em crise e os Kikongos da Ilha dos Loandos foram obrigados a associarem-se com os portugueses na recolha do D’Jimbo (a concha – moeda), a grande MOEDA da África Sub-Saareana.

Ainda com a “Coligação”, os povos da Kissama, já aliados dos portugueses, sofreram revezes tremendos, mas agora com a esta outra Coligação feita entre Jagas e os Portugueses, a sua sorte não melhorou.

A própria Ilha dos Loandos, grande centro de artesanato com base no VIME das lagoas do Kuanza, entrava em dificuldades por falta de matéria prima, nem sempre conseguida pela actuação dos povos da Kissama.

Apenas o comércio com os portugueses e Filhos do País (brancos, mestiços e negros) florescia e por conseguinte a própria Coligação dos NGONDOS-/CUONGOS desfez-se a partir de 1600, pelo seu próprio empobrecimento.

A fome atacou alguns dos sobados que, uns atrás dos outros se aproximavam dos portugueses e dos Filhos do País, que prosperavam cada vez mais na Cidade de São Paulo de Luanda.

Permitia-se que os comerciantes ambulantes, divididos em duas classes, a dos “POMBEIROS CALÇADOS” e “POMBEIROS DESCALÇOS”, formassem as suas próprias caravanas, indo ao encontro dos povos debilitados dos ESTADOS AFRICANOS próximos.

Os “Pombeiros CALÇADOS” eram brancos, mestiços e negros assimilados aos costumes portugueses. Andavam constantemente da cidade para o mato e do mato para a cidade. Compravam escravos e marfim e vendiam muitos artigos, incluindo armas de fogo.

Os “Pombeiros DESCALÇOS” eram comerciantes dos ESTADOS e SOBADOS da Região, que vendiam aos “Pombeiros Calçados” os Escravos e o Marfim.

Mas os Oficiais portugueses, os Padres e os Soldados, também eram comerciantes, incluindo o Governador e o Bispo, que mandavam os seus funcionários comerciar (forma de ultrapassar os atrasos de pagamento dos seus vencimentos durante a ocupação espanhola de Portugal).

Assim, a pouco e pouco, pela força da necessidade económica, conquanto embrionária, os povos de todas as origens dos Estados Africanos, incluindo os Jagas e os Kikongos (da Ilha dos Loandos e do Reino do Cuongo)beneficiavam do intercâmbio comercial, feito com base na permuta e com pagamento por meio da moeda corrente – o D’Jimbo, que favorecia mais ainda os Kikongos e Portugueses (que dominavam a origem dos D’Jimbos).

Contudo, apesar dos Estados estarem divididos, as lutas continuavam. Alguns sobados da Kissama não aceitavam o domínio dos portugueses, agora cada vez mais representados pela Mestiçagem, mas há que presumir também que, secretamente, tivessem acertado uma LIGA com os Jagas/N’Zingas, que poderiam muito bem dar saída à PRATA pelas Terras de Benguela e pelo Sul, para os negociantes árabes de Zamzibar, que chegavam ali em caravanas, em que se incluíam cavalos, jumentos, avestruzes e até elefantes, como meios de carga e transporte.

A revolta mais importante foi em 1603, em que o Soba Kafuxe perdeu perante o Capitão CERVEIRA PEREIRA. Foi então que os portugueses atacaram e prenderam o já idoso N’GOLA KILUANGE, que foi transportado para Luanda e ali decapitado (personagem admirado pelos tempos fora mesmo pelos seus vencedores).

Estava aberto o caminho para Cambambe e consequentemente para a descoberta e exploração, finalmente, das perdidas MINAS DE PRATA.

Mas, vencidos todos os obstáculos, chegados a Cambambe, os portugueses descobriram que não havia a PRATA tão ambicionada.

Com a morte de N’GOLA KILUANGE, sucedeu N’GOLA  MBANDI, que prosseguiu na luta contra os portugueses.

Em 1611 e 1617, também N’Gola Mbandi e alguns Sobas dos Dembos foram atacados e vencidos, entre estes contava-se o Soba de NAMBANGONGO.

N’Gola Mbandi antes do ataque abandonou a capital do seu Reino a cidade de KABASSA (o actual Dondo), entrando os portugueses por fim entraram na cidade em 1620.

N’Gola Mbandi foi forçado a retirar-se e refugiou-se numa Ilha do rio Kuanza, mesmo assim fazendo a partir dali alguns ataques aos portugueses.

O Rei N’Gola Mbandi refugiado nessa Ilha do Rio Kuanza, fez que os portugueses, intrigando o seu povo, como se ele fosse um “Déspota” que não se importava com os seus “súbditos”, colocaram no “trono” SAMBA a NDUMA ou ARI KILUANGE, que era Soba do pequeno Estado de MPUNGO a NDONGO.

Mas o golpe dos portugueses falhou. Ninguém respeitava este novo Rei. N’Gola Mbandi, mesmo no seu exílio voluntário, continuava a ser o “CHEFE”, que, através dos seus generais e soldados, prosseguia a luta.

Vendo isto, a princesa JINGA M’BANDI apareceu em cena com o objectivo de expulsar os portugueses, destronando também o falso rei ARI KILUANGE, que continuava a residir no seu sobado de NGOLA NDONDO.

JINGA era irmã de NGOLA NDONGO e vivia na MATAMBA, capital do Estado Africano dos JAGAS/N’ZINGAS.

A princesa encontrou-se com seu irmão na Ilha do Kuanza onde este se encontrava refugiado, convencendo-o a fazer, diplomaticamente, uma trégua com os portugueses, até conseguirem fazer uma outra COLIGAÇÃO capaz de os vencer.

MBANDI consentiu e a sua irmã JINGA, como chefe duma embaixada, deslocou-se a Luanda para propor a paz.

Os portugueses estiveram de acordo e aceitaram a paz proposta por JINGA.

Tanto uns como outros precisavam de paz, que foi feita, para ambas as partes, incondicionalmente.

Os portugueses, contudo, exigiram que lhes fossem entregues os “ESCRAVOS” fugitivos, o que foi aceite pela princesa Jinga e acertado.

Havia já, essencialmente na foz do Rio Bengo e na do Rio Dandi, nas margens das lagoas do Panguila, plantações de cana de açúcar, palmar, bananeiras, coqueiros, além pomares e horticultura europeia, as quais necessitavam de muita “mão-de-obra”, ou serviçais, que não eram senão prisioneiros das guerras entre os Sobados das regiões do NDONGO e da KISSAMA, além doutros trazidos até esses ESTADOS pelos próprios JAGAS/N’ZINGAS.

Os povos aceitaram a princesa Jinga como a “SALVADORA”, apoiando-a e fazendo que os ESTADOS se organizassem numa grande COLIGAÇÃO contra os portugueses, aparecendo-lhe até Sobas do LUCALA.

A princesa atacou os Sobas que não queriam aderir à Coligação e derrotou-os. Os Estados compreendiam finalmente que a luta teria que ser feita em larga parceria para que pudessem vencer Luanda (os portugueses e Filhos do País), que prosseguia no seu desenvolvimento imparável.

Nos DEMBOS, fracassadas algumas tentativas para que se organizasse essa Coligação, alguns Sobas apressaram-se a fazer guerra a São Paulo de Luanda (aos Filhos do País).

A cidade de Luanda, em CONTEXTO étnico multirracial, de mestiçagem física, linguistica e cultural, era por si própria a capital independente, que, por força das circunstâncias, obedecia mais ao BRASIL do que a PORTUGAL.

Parte da sua população era luso-brasileira, mais ambiciosa e a mais forte económica e financeiramente, que impunha o seu comércio unicamente com o Brasil, até porque em Portugal vivia-se sob a ocupação espanhola (até à Restauração em 1640).

Os BRASILEIROS, dum lado e do outro do Atlântico, chegaram ao ponto de não permitir que Luanda (o território angolano sob a sua influência directa)  produzisse fosse o que fosse, pois tudo teria que vir, por importação, do BRASIL. Por sua vez, mesmo os “serviçais” que trabalhavam nas plantações próximas eram apanhados e conduzidos para PERNAMBUCO (no Brasil), vendidos como ESCRAVOS ou PEÇAS, levando familiares e crianças, deixando apenas os velhos pela sua incapacidade óbvia.

Finalmente, houve uma Coligação feita com os ESTADOS da MATAMBA; NDONGO; CUONGO; KASSANGE; DEMBOS e KISSAMAS.

Os JAGAS da MATAMBA proclamaram a princesa JINGA RAINHA DA MATAMBA, pelo que o Reino do NDONGO passou a chamar-se MATAMBA e NDONGO, e no CUONGO, governava MANI MBANDA, (D. ÁLVARO IV). Em MPUNGO a NDONGO governava o célebre ARI KILOANGE, imposto pelos portugueses.

No exército da Coligação, encontravam-se homens dos longínquos Estados do PLANALTO como M’BAILUNDOS; HUAMBOS e até do afastado BIÉ.

Foi então que a RAINHA atacou os portugueses de Luanda, empurrando-os para lá de Kambambe até ao Forte de MASSANGANO. Os portugueses perderam os Fortes da AMBAKA e de KAMBAMBE, e contra outras ofensivas, refugiaram-se também nas Fortalezas da Muxima e de Massangano.

O MANISOYO e o Rei do Cuongo MANI MBANBA (D. Álvaro IV) foram à Holanda (por iniciativa da Rainha Jinga que liderava o processo), a fim de fazerem TRATADOS com os holandeses, enquanto a Rainha Jinga mantinha a guerra contra os portugueses.

Em 1641, os holandeses atacaram São Paulo de Assunção de Luanda e a sua Fortaleza com 21 navios e conquistaram a cidade.

Os portugueses, população e Governo, fugiram e refugiaram-se no Forte de Massangano.

A Rainha Jinga era assim aliada dos holandeses.

Construíra uma tremenda FRENTE ANTI-PORTUGUESA. Os soldados da Coligação e os holandeses dispunham agora de armas de fogo em quantidade.

Os portugueses tinham também dois aliados importantes, que eram NGOLA ARI, filho do ARI KILUANGE (que já tinha morrido), e o general jága KABUCU KANDONGA, chefe dum grande exército.

Luanda estava ocupada pelos holandeses. Os seus habitantes refugiaram-se nas fortalezas de Massangano e da Muxima.

O negócio dos escravos com o Brasil, era importante e necessário para essa Colónia de Portugal.

A sua economia (do Brasil) estava baseada nos escravos que vinham de Angola, por isso o cerco de Luanda e de seus portos próximos, como o da barra do Donde, tinham também de ser libertados da ocupação holandesa.

O comércio dos escravos com o Brasil estava parado ! Os colonos brasileiros estavam aflitos por falta de mão-de-obra para as suas roças de açúcar.

Em 1646, os brasileiros reforçaram as tropas portuguesas de Massangano, tentando vencer os holandeses e a sua Coligação africana.

Por sua vez, sendo os escravos e o marfim, as únicas riquezas dos Estados Africanos, e não havendo interesse por parte dos holandeses para esse negócio, a Coligação começou por desmembrar-se, indo agora contra os holandeses.

Os soldados dessas coligações tinham sido armados pelos holandeses e agora, essas mesmas armas e munições estavam prestes a virarem-se contra os seus fornecedores ( os próprios holandeses).

Aproveitando esta oportunidade, em 1648, os brasileiros desembarcaram a Sul de Luanda, perto da foz do rio Kuanza, mais propriamente na península do Estado do Mussulo, também pertença do Rei do Cuongo.

A sua esquadra era composta por muitos navios e mais de 1.000 soldados, comandada pelo Capitão luso-africano-brasileiro SALVADOR CORREIA DE SÁ E BENEVIDES.

Desembarcados os soldados e oficiais, que se juntaram com alguns JAGAS e NDONGOS E MAIS ALGUNS AFRICANOS DO Estado da Kissama, iniciaram o ataque aos holandeses a partir do Leste da cidade.

Os holandeses estavam na Fortaleza de Luanda, esperando a ARMADA na BAÍA DOS LOANDOS (foram assim apanhados desprevenidos), pela surpresa perderam a batalha e foram expulsos de imediato e embarcados nalguns navios da esquadra de Salvador Correia de Sá e Benevides, completamente desarmados e vencidos.

Os habitantes voltaram para Luanda, vindos das fortalezas de Massango e Muxima.

Depois Salvador Correia apoderou-se da ILHA DOS LOANDOS.

O Rei do Cuongo, D. Garcia II, RIMBANKU, perdia assim as “minas” de N’Jimbo, e os aristocratas da ILHA DOS LOANDOS, perdendo o controlo dessa moeda para sempre, dedicaram-se então a serem PESCADORES, mantendo contudo a sua dignidade de “cabeça levantada”, ganhando dinheiro (e bastante) com a PESCA.

Muitos desses habitantes, espalharam-se pela Costa até ao Rio Bengo, a Norte, ocupando na Luanda Sul as faixas da SAMBA GRANDE e da SAMBA PEQUENA.

Estes habitantes, ainda hoje, mantém integra a sua etnia. As suas mulheres dedicaram-se ao comércio de peixe, vendendo de porta em porta, a partir daí, conhecidas como PEIXEIRAS DE LUANDA.

Estes homens e mulheres defendiam-se, empregando uma luta especial dos Kikongos, a “BAÇULA”, luta feita só com as ancas (ANCAS) que resultava extremamente violenta e eficaz.

A restante população temia-os por causa dessa forma de lutarem, que era apenas empregue em situações extremas de defesa. Outra parte da população especializou-se na “CAPOEIRA”, forma de luta (em que se utilizam essencialmente as pernas, em movimentos rapidíssimos e desnorteantes para o adversário, confundindo-os) usada pelos HELELOS DO Sul de Angola, transportada para o Brasil pelos escravos.

A derrota dos holandeses foi também a derrota da resistência dalguns sobados dos ESTADOS AFRICANOS próximos de Luanda.

Em 1656, a Rainha JINGA fez tréguas com os portugueses, morrendo em 1663, no Estado dos Dembos, que tinha identidades com o Cuongo, cujo Rei NHE NIEZA (D. António I),  pretendia libertar, fosse como fosse, a ILHA DOS LOANDOS (para poder voltar a controlar  o D’Jimbo).

NHE NIEZA atacou por fim fortemente o exército luso-africano-brasileiro de Luanda, em 1665.

O exército do Cuongo, que tinha 190 armas de fogo e 29 portugueses (Filhos daquele País), que viviam na foz do Rio Zaire, foi completamente derrotado.

O Cuongo passou a estar sob o domínio português.

Os portugueses atacaram MPUNDO a NDONGO, em 1671, venceram e mataram ARI II e ali fizeram um FORTE e um PRESÍDIO.

Assim acabou o Reino do NDONGO.

Os ESTADOS LIVRES da KISSAMA resistiram até 1676 e renderam-se aos costumes e à vontade dos luso-africanos-brasileiros de São Paulo de Luanda.

Entretanto, em 1605, Luanda recebera definitivamente “foros” de cidade e, em 1621, já tinha 400 famílias praticamente mestiças, pois não havia praticamente mulheres brancas ali, senão as prostitutas, degredadas ou simplesmente farrapos da miséria metropolitana portuguesa para ali mandadas. Os brancos (soldados, agentes da função pública, delegados e exilados) “amigavam” com as “negras” e “mestiças daquela região.

Havia um número muito maior de africanos, constituída por libertos, por migrantes dos Estados Africanos, e por escravos (aqui designados por SERVIÇAIS), que muitas vezes, por vontade própria, chegavam à grande capital em busca de oportunidades diversas e também de estabilidade e de PAZ.

Contudo, Luanda comprava tudo ao Brasil, (a troco de escravos), desde peixe seco, carne seca, farinha de mandioca, etc. não podendo haver produção, fosse qual fosse, na região (esta era a forma como o Brasil dominava Angola).

A Colónia do Brasil NÃO consentia.

Mas este processo económico também desfavorecia os brasileiros. A alimentação dos escravos até Pernambuco (no Brasil) e mesmo em Luanda por sua conta (enquanto esperavam embarque para o Brasil) encarecia o produto (PEÇAS = escravos). Por isso, os luso-africanos-brasileiros deram origem à industria da pesca, principalmente para garantir uma parte da alimentação dos escravos, com consentimento brasileiro.

Na cidade de Luanda havia muita gente para ser alimentada. Precisavam de comer. Precisavam de construir as suas casas de pedra e cal. Precisavam, pelo menos, duma pequena produção de bens materiais essenciais para o seu consumo, na base da alimentação, carpintaria, alvenaria, etc.

A única autorização até ali consentida pela Colónia do Brasil (que pela seu poder económico dominava até Portugal e por acréscimo Angola), era a plantação de cana de açúcar em algumas Fazendas, destinadas a obter aguardente, com que se “brindava e felicitava” com os Sobas do Interior a venda e compra dos escravos.

Em 1764, os luso-africanos-brasileiros já tinham força em Angola. Eram eles que tinham os contactos com os agentes do interior; que conheciam as TERRAS DO PLANALTO (MBAILUNDO; HUAMBO; BIÉ etc.). Muitos deles era gente rica, com grandes capitais, acumulados durante muito tempo.

Esses capitais começaram a ser aplicados na produção e os Governos da Colónia “entre a espada e parede” iam consentindo e ajudando essas iniciativas deixando de proteger os armadores brasileiros.

Era um jogo difícil. O desinteresse dos brasileiros sobre Angola (Luanda) seria a ruína para os angolanos.

Os Estados Africanos enfraquecidos poderiam aproveitar dessa oportunidade de fraqueza para se revoltarem, como acontecera no passado.

A Metrópole apenas continuava a mandar para Angola, presidiários e por isso as Fortalezas passaram a ser designadas por PRESÍDIOS; Funcionários, em que se incluíam os próprios Governadores e sua administração, arriscavam-se para ganharem algumas vantagens de promoção, dificilmente alcançadas na Metrópole.

O BRASIL é que fornecia o dinheiro e o armamento para a defensiva e ofensiva dos luso-africanos-brasileiros contra os africanos.

Havia a resistência dos “ESCRAVOS” (os exportados) e dos “SERVIÇAIS” (os internos), que, quando podiam desertavam para as suas terras de origem.

Com efeito, foi o Governador SOUSA COUTINHO, em 1768, que, necessitando duma “industria pesada para armar as FORÇAS MILITARES e MILITARIZADAS, construiu a Fábrica de Ferro de Nova Oeiras, perto de MASSANGANO.

Ali se fabricavam peças de artilharia para todas os FORTES DA COLÓNIA.

O Governador Sousa Coutinho pôs os “Colonos” a fazerem agricultura e industria como pequenos proprietários/empresários; pôs os “africanos”, (voluntários) como operários, pagos com um salário igual a metade do salário dos soldados portugueses ali destacados; pôs as mulheres “africanas” a fazerem agricultura junto às fábricas para alimentarem os operários.

Este Governador, de larga visão, estabelecia assim um REGIME de homens livres e remunerados, embora com algumas diferenças salariais.

Para “obrigar” os “colonos” a produzir, o Governador deu-lhes liberdade, pois todos eram desterrados; e prémios aos que “casassem” e se decidissem, por enraizamento, à agricultura e industria, desfavorecendo o comércio que se mantinha apenas com dois produtos básicos o Escravo e o Marfim.

Os bens dos comerciantes, que morressem sem deixarem herdeiros, obrigatoriamente revertiam para o Governo, que os distribuía pelas “famílias” que proliferavam em descendência.

Além da FÁBRICA DE FERRO DE NOVA OEIRAS, fizeram-se outras tentativas de indústrias. Com CAL no Lobito (que ainda era um despovoado); ENXOFRE (para a produção de ácido sulfúrico) em Benguela; TINTAS em Caconda; CONSTRUÇÃO NAVAL, em Luanda.

Com Sousa Coutinho a burguesia, representante dos “Filhos do País” enriquecida, iniciava-se na produção regional e no comércio, contra as importações impostas pelo Brasil e contra a venda e compra de escravos para aquela Colónia portuguesa.

Só em 1625, embarcaram em cinco navios brasileiros 1211 escravos, dos quais morreram 583 na viagem e 68 depois de desembarcados no Brasil. Mas pouco mais tarde, cerca de 20.000 escravos saíam anualmente dos portos de Luanda e de Benguela, chegando ao destino mais ou menos 12.000.

A captura de cada prisioneiro (escravo) nas guerras do “Kuata, Kuataimplicava necessariamente a morte de cerca de três indivíduos, facto que estava na origem do despovoamento dos Estados Africanos, acontecido ainda pelas secas, epidemias e fome !

Sousa Coutinho, com a sua política de produção regional, travou os interesses brasileiros e, paradoxalmente, empobreceu ainda mais os Estados Africanos.

A “ESCRAVATURA” era para eles vital, porque só dispunham da venda de escravos e do marfim, como “matérias primas” essenciais.

O combate ao “ESCRAVATURA” e a política de fomento de Sousa Coutinho, sem contrapartidas imediatas, reduziam à miséria negra os “soberanos africanos e seus povos, que acabariam por ser meros andrajosos e caricatos com suas vestimentas feitas de fibras da botânica autóctone, tornando-se cada vez mais “incivilizados”.

Em 1796, Luanda era o terceiro porto importador do Brasil. Benguela era o sexto. Mas, nos meados d século XIX, já não sentia tão fortemente o efeito exclusivamente dessas importações.

No tempo do “Soba” EKUIKUI, o Bailundo começou a produzir milho, que era enviado para Benguela em caravanas africanas, que ganhavam com isso, evitando o negócio, agora “escuro” da venda dos escravos.

Em breve, a própria aguardente feita na base do milho, denominada por “CACHIPEMBE”, começou a ser fabricada no Planalto. Outros produtos iam sendo cultivados um pouco por toda a parte.

Em 1884, os portos de Luanda e de Benguela foram abertos a todos os Países, que pretendiam adquirir matérias primas. Se isto enriquecia mais os “Filhos do País”, nas Feitorias, criava um “fosso” enorme entre estes e os habitantes dos Estados Africanos, cada vez mais enfraquecidos, isolados e entregues a si mesmos no seu Direito Consuetudinário, que a Metrópole ia transformando em “OBRIGAÇÕES CONSUETUDINÁRIAS” com imposição do trabalho obrigatório para pagamento dum IMPOSTO OBRIGATÓRIO por CABEÇA/HOMEM.

Assim, em 1850, Luanda tinha 5.600 habitantes, havendo 1.600 “BRANCOS”. Em 1855, já tinha 12.000 habitantes (mais do dobro), com o mesmo número de brancos. O número de “mestiços” e de “negros” aumentou com predomínio, daí por diante de “negros”, que migravam para ali atraídos pelas oportunidades oferecidas pela CIDADE, o que acontecia também em Benguela.

Os FILHOS DO PAÍS (Brancos, Mestiços e Negros), em Luanda, começaram a enfrentar os “Superiores” interesses dos “Metropolitanos” residentes em Portugal.

A primeira tentativa para este enfraquecimento dos FILHOS DO PAÍS dá-se com a imposição exclusiva de exportação de produtos de Portugal (Continental e Insular) para Angola.

Mas a maioria dos brancos da metrópole que seguia para Luanda e depois para a parte restante habitável de Angola (Feitorias) na segunda metade do século XIX, era constituída pelos DEGREDADOS, condenados a cumprir penas legais por crimes de natureza civil e política, entre os quais se encontravam indivíduos como “JOSÉ DO TELHADO”, que se internou depois no Sertão de Luanda na década de 1860; João Victor da Silva Brandão (célebre salteador da Beira Alta), que fugiu para o Sertão de Benguela em 1881; JOÃO CHAGAS, herói da Revolta Republicana do Porto em 1891.

Em 1864, havia em Luanda, 433 degredados, estando na TROPA (Forças Armadas) 360 militares, e o restante, sendo paisanos, eram taberneiros. Tinham chegado, na sua maior parte, sem roupa nem instrumentos de trabalho. Muitos vinham doentes.

Cumpridas as penas, a maioria regressava à Metrópole, para depois, por vontade própria REGRESSAREM DE NOVO A LUANDA e aí se estabelecerem.

Portugal atravessava tempos conturbados entre 1820 e 1850, o que provocou uma maior onda de “voluntários” para Luanda (Angola), devido à falta de capital e à miséria que se fazia sentir na Metrópole.

Muitos embarcavam para Luanda em navios de guerra. Não tinham, em grande parte, habilitações nem experiência agrícola, apenas iludidos com esperanças, pouco fundadas e confiadas, na protecção das autoridades ... .

Mas em Luanda, conforme o Governador Geral frisou em 1863, não podiam encontrar na Província (particularmente em Luanda) a felicidade que não tinham encontrado na Metrópole.

No entanto, houve carreiras de sucesso, como as do SILVA PORTO; JERÓNIMO RODRIGUES DA COSTA, que assentou praça em 1839, como soldado do Batalhão de 1ª Linha de Luanda; e do ANTÓNIO DE SOUSA CARNEIRO LARA, emigrado do Norte de Portugal para o Brasil em 1851, tendo anos depois seguido para Luanda, onde se tornou em Angola (Benguela) um dos proprietários mais ricos e opulentos nas décadas de 1880 / 1890.

Contudo, a maioria continuava a ser pobre !, endividando-se ao pequeno grupo de capitalistas ricos sediados em Luanda, Benguela e Mossâmedes.

Em 1870, aumentou o ritmo da imigração branca, mas a insalubridade do clima continuava a estar contra o incremento da colonização europeia. A maioria sucumbia às doenças do País.

Deste modo, entre 1850 e 1860, muitos escaparam-se pelo Leste e Sul do interior de Moçâmedes, nas terras do Humbe, Huíla, Caconda, Gambos, onde já havia pequenas concentrações de brancos.

Em 866, face às sérias dificuldades económicas e financeiras e militares que se viviam na Metrópole, que não tinha mais “convicção” para garantir integralmente o Território Angolano, o Governador Geral GONÇALVES CARDOSO propôs o abandono do Cassange (Reino dos Jngas/Zingas) e também os Territórios do Humbe e Gambos.

Esta proposta foi unanimemente aprovada pelo Conselho do Governo, tendo em consideração a distância desses locais aos centros (Feitorias) do Litoral.

O sucessor deste Governador, JOSÉ RODRIGUES DO AMARAL, nos anos seguintes (década de 1850), foi fundamentalista com a retirada militar e administrativa do interior, chegando a suprimir os governos subalternos de Benguela e de Moçâmedes.

Do ponto de vista das sociedades africanas do interior, a retirada militar e administrativa para a Costa Marítima era uma fraqueza, que tinha que ser aproveitada.

O Major HENRIQUE DIAS DE CARVALHO foi contra a retirada de Cassange, que punha em confronto os habitantes “branco, mestiços e negros” afectos a Luanda, contra os Jagas/Zingas e essencialmente os povos Lundas e Kikolos.

A retirada de São Salvador e de Bembe, no Cuongo e nos Dembos, reforçou o prestígio do MANI CONGO entre as populações a Norte de Angola.

Na década de 1870, os dembos Kazuangongo e NGombe Amuquiama, aproveitando-se da retirada militar e administrativa dos portugueses obrigaram os povos limítrofes a pagarem-lhes tributo.

Em 1871, os dembos sublevaram-se contra o Posto Militar de Cassacola, arriando a bandeira portuguesa, alegando que aquelas terras eram pertença do Reino do Cuongo e não de Portugal.

O Governo de Luanda (Angola)mostrou-se incapaz de responder à situação e as tropas foram rechaçadas durante 1872 em campanhas desastrosas além do Zenze do Itombe, onde se encontravam as MINAS DE FERRO M’BASSA, que deram origem à FUNDIÇÃO DE NOVA OEIRAS estabelecida naquela região pelo Governador Francisco de Sousa Coutinho.

Em Dezembro de 1872, o Chefe (colonial) dos Dembos abandonou o Posto e fugiu para Luanda com 100 soldados da sua guarnição, dos quais 37 forma mortos pelos rebeldes.

Em 1873, a violência atingiu o Zenze do GOLUNGO; GOLUNGO ALTO; AMBACA; e ALTO DANDE.

O pânico atingiu os habitantes de Luanda, onde se temia também uma revolta dos DEGREDADOS residentes na cidade contra as autoridades oficiais.

O que salvou toda a ocupação, foi simplesmente uma epidemia mortífera de VARÍOLA, que, com maior incidência da doença do sono paralisou os povos africanos antes de atingirem Luanda e as Feitorias do Litoral bem como as que estavam implementadas no interior.

Graças à intervenção diplomática do Tenente-Coronel de 2ª Linha MANUEL DOS SANTOS PEREIRA VANDUNEN, os Dembos e Nambua-Ngongo mantiveram a sua amizade com Luanda, impedindo os assaltos ao Alto Dande.

Contudo, em 1873, os Dembos, novamente revoltosos e fortificados, recebendo fornecimento de pólvora comprada no Ambriz e no Dondo, dificultaram a partir desta data, durante trinta anos, a região para além do Zenze foi embaraçosos para Luanda.

Houve periódicas incursões dos povos limítrofes às Feitorias comerciais de SASSA e CAIXITO até finais do século.

A Metrópole, pela reforma do ministro Rebelo da Silva, ainda em Dezembro de 1863, consagrava que houvesses para Angola, a partir de Luanda, uma COLONIZAÇÃO PENAL apenas.

Este projecto fracassou. Em meados dos anos oitenta, o Governador Geral FRANCISCO FERREIRA DO AMARAL fundou a COLÓNIA PENAL AGRÍCOLA REBELO DA SILVA, em Caconda, e uma COLÓNIA MILITAR PENAL no Lovale.

Mas a “política”, na prática, desenvolvia-se pela necessidade dos residentes em Luanda e no seu “interland”, embora enfrentando sérias dificuldades e riscos. Inicialmente como feirantes e sertanejos, na maioria alguns, vivendo embora do comércio, passaram a dedicar-se à agricultura, cultivando “fazendas” resultantes dos “arimos” ou propriedades de afro-portugueses vizinhos, que, por hipotecas irresolúveis por créditos dados, “caíram nas mãos” dos credores abastados de Luanda.

Entre estes contam-se JOSÉ DE CARVALHO BASTOS, que por sua vez era sócio de JOÃO GUILHERME PEREIRA BARBOSA, fundadores da primeira fazenda europeia der café no CAZENGO. Bastos viera a tomar conta desta fazenda ou “ROÇA” por morte do seu sócio, ficando tutor dos órfãos, filhos mestiços do falecido Barbosa.

Os cafeeiros eram cultivados à sombra das árvores mais altas e as plantações constituíram-se por cafeeiros expontâneos e os dos arimos.

A produção da Fazenda “Colónia de S. João” do primeiro João Guilherme, duplicou a produção, que foi ultrapassada pela da Fazenda de Albino José Soares da Costa Magalhães.

Estas tentativas resultavam e em breve sucedia-se o interesse pelo cacau no Cazengo e no Golungo essencialmente; e eram sustentadas com lucros comerciais em terras, marfim e escravos.

Além do café e do cacau, as Fazendas e os “Arimos” cultivavam também tabaco, arroz, e algodão, para além de plantações de mandioca, feijão e milho para alimentar os servos que eram trabalhadores praticamente escravos.

O Governador Geral de Angola e a Administração contribuíram com tudo quanto era possível para o equilíbrio do desenvolvimento seguro territorial, tomando medidas legais para que se produzisse, e muito!, para o consumo inteiro e para a exportação tão necessária para os “fundos” da Fazenda nacional da Colónia.

Mas a cada tentativa, sucedia-se o fracasso, motivado pelas dificuldades inerentes, essencialmente pela instabilidade territorial, acrescida de não existir ali nenhuma rede rodoviária, senão o “caminho fluvial do Rio Cuanza”, que, pouco ou nada contribuía para o escoamento dos produtos para o litoral. Além do mais, sucediam-se secas, que tudo e todos atingiram.

As “estradas” eram apenas simples “carreiros indígenas”, que se cruzavam e atravessavam todo o sertão africano, onde as “caravanas” dos “Pombeiros Calçados e Pombeiros Descalços” carregavam, às costas as mercadorias como autênticas bestas de carga.

Havia contudo a necessidade urgente de ser alcançada a estabilidade e a paz territorial. Os “escravos” passaram a ser designados por “serviçais” e estes mais tarde por “serventes”, de forma progressiva para a sua protecção e dignificação. Por exemplo, em 1867, Joaquim Rodrigues da Costa, filho e herdeiro de Jerónimo Rodrigues da Costa, um dos grandes fazendeiros do Golungo Alto, foi acusado de ter causado a morte, por espancamento, dum dos seus serviçais, tendo assassinado outros anteriormente. Já o Governador de Moçâmedes, Fernando da Costa Leal proibira os fazendeiros brancos de açoitar os serviçais e de enterrá-los secretamente !

Mas os “serviçais”, reagindo ao seu estado servil, só lhes restava a fuga, que se fez individualmente e em massa, (essencialmente por morte dos seus amos), em que a maioria ia para as zonas limítrofes. Poucos fugitivos regressavam às suas terras de origem.

A população de Luanda e dos outros “cidadãos” do litoral, aumentava.

Mas esta população, deslocada, principalmente em Luanda, integrava-se na sociedade africana mista também de luso-brasileiros, e grande parte passava a dedicar-se ao banditismo e mesmo à guerrilha, como “bandoleiros”, roubando e atacando as caravanas e os seus antigos patrões.

Estas “quadrilhas”, juntamente com outros elementos marginalizados, ameaçavam a segurança, o que obrigava a constituírem-se as primitivas expedições, que se sucederam, quer por parte dos chefes militares, quer por moradores locais.

No final de 1860, deu-se o declínio internacional dos preços do algodão e das exportações de MARFIM, e do café a partir de 1874.

As secas agravavam a situação por sua vez, além das fomes e epidemias, que afectavam também Luanda e Moçâmedes. A crise crescia nos empreendimentos coloniais e dos colonos, em que se evidenciava o alto custo da mão-de-obra africana. Provocados, os africanos começavam a orientar-se, no interior, para satisfazer a procura colonial da borracha, que era um produto expontâneo.

Independentemente de tudo isso, o próprio Rio Cuanza, como “corredor fluvial” na base do transporte de mercadorias pela navegação dos vapores ali em função, teve falta de água por causa das secas sucessivas, o que também dificultou a passagem da barra.

A queda do mercado, a subida do preço da mão-de-obra e as altas taxas de juro exigidas pelo BANCO NACIONAL ULTRAMARINO, fizerem, a partir dos anos setenta, à primeira grande vaga de falências entre os fazendeiros do norte e do Sul da colónia, cujas propriedades se encontravam, em grande parte, hipotecadas.

O próprio Governador Geral Ferreira do Amaral dizia em 1882 : “... raro é ver uma fazenda desempenhada, no que possa saldar os seus compromissos com o Banco ou outros quaisquer capitalistas, que tenha dado os fundos essenciais para resistir às últimas secas e ao difícil e caro custeio das propriedades ...”.

Em meados dos anos oitenta o BANCO NACIONAL ULTRAMARINO possuía a maior parte das terras cultivadas (Roças) do Cazengo. Mas o mesmo acontecia no Sul de Angola.

O próprio BANCO NACIONAL ULTRAMARINO não tinha capital suficiente para suportar o desenvolvimento de todas as propriedades caídas em seu poder e acabou por vender muitas destas a capitalistas colonos/coloniais (estes ligados à Metrópole), evidentemente mais ricos e mais protegidos.

As plantações, que não caíram nas “mãos” do banco sobreviveram à custa do fabrico de aguardente, e às trocas comerciais com as sociedades africanas autóctones.

A produção da aguardente estimulou e foi estimulada pela expansão da BORRACHA.

Segundo Ferreira do Amaral, a BORRACHA constituía uma SALVAÇÃO, quer para os agricultores quer para o BANCO NACIONAL ULTRAMARINO.

A partir de 1880, as plantações de cana do açúcar junto de Luanda, Benguela, Moçâmedes e até no Planalto da Huíla, aumentaram substancialmente devido à industria do aproveitamento da aguardente e com esta o desenvolvimento da recolha da “Borracha” nos bosques dos Planaltos do Huambo e do Bié, com algum incidência em Caconda.

No último quartel do século, a economia de Angola voltou a depender esmagadoramente do comércio feito com as sociedades africanas, embora, na exportação, o café fosse o género mais valioso. Apenas um quarto desta produção era das ROÇAS; o restante era proveniente de “arimos” ou “LAVRAS  (mais tarde assim designadas) dos africanos dos DEMBOS, dos MUNBIRIS (no interior dos Dembos) e dos HUNGOS, sendo estes últimos dados como “comerciantes” de café, indo comercializar no AMBRIZ e mesmo no DONDO --» (LUANDA), trocando aqui o café por armas a compradores NZINGAS por gado, proveniente do Sul.

A BORRACHA, que começou a satisfazer a sua procura e correspondente EXPORTAÇÃO, a partir de Luanda e de Benguela, em fins de 1860 era produzida pelos Kiokos (na Lunda) a partir da SEIVA DE TREPADEIRAS e ÁRVORES das florestas de KIBOCO.

A PARTIR DE 1881, essa exportação aumentou substancialmente com a saída por Luanda e Benguela para o Estrangeiro.

O Café ficou em segundo lugar!, acima da CERA e do pouco MARFIM que ia sendo negociado, pois as manadas de elefantes tinham sido abatidas e ou afugentadas para longínquas terras do Kuangar, além dos Rios Cunene e Cubango.

Mas a própria Borracha dos Kiokos praticamente desapareceu rapidamente face à recolha indiscriminada, atentos que estavam apenas ao lucro fácil e imediato ! A restante transitava para o ESTADO LIVRE DO CONGO, onde as importações europeias eram mais abundantes e por consequência mais baratas!

A FEITORIA de MALANGE e as outras a Norte do Kuanza ressentiram-se e entraram em crise por sua vez, levando à queda abrupta das exportações de Borracha de Luanda.

Em contrapartida, na década de 1880, descobriu-se a BORRACHA VERMELHA (de segunda classe) extraída a partir de raízes de um arbusto das zonas arenosas do deserto do Calahari, a Leste e a Sueste do Planalto Central.

Esta BORRACHA VERMELHA favoreceu o comércio de Moçâmedes, mas essencialmente de Benguela, que ultrapassou as exportações de todos os produtos despachados por Luanda.

o “BOOM” da BORRACHA, incluindo a “VERMELHA”, favoreceu um movimento migratório africano de homens, mulheres e crianças, todos eles interessados na recolha e na preparação do “produto”.

Deste modo, a partir de 1870, os KioKos, em pequenos grupos, penetravam nas galerias florestais quase desabitadas do Norte e do Sul de KIBOCO, acabando por se infiltrarem nos territórios da Lunda e dos LUCHAZES.

Os Kiokos eram bem vindos às terras dos seus hospedeiros por trabalharem o FERRO e por serem hábeis caçadores. Mas, uma vez enraizados, as suas aldeias cresciam rapidamente pela fácil comunhão das suas mulheres com os homens dos povos vizinhos, e sobretudo com os UMBUNDOS, BÂNNGALAS e SONGOS, que eram importantes intermediários e até agentes do comércio das feitorias no interior.

Nesta época, Malange já tinha vinte estabelecimentos comerciais da maior dimensão, com filiais em TALA MUGONGO e até em CASSANGE e SAURIMO na Lunda. Havia ali firmas e negociantes brancos, ou Sucursais do Dondo.

Numerosas famílias AMBANQUISTAS (da Camabatela e Sambe/Cajú actuais) migravam para Malange em concorrência com os BANGALAS, KIOKOS, UMBUNDOS e outros Grupos africanos.

Os comerciantes ambanquistas obtinham a BORRACHA a troco de aguardente, que eles próprios fabricavam na região em alambiques rudimentares.

Em 1889, um dos maiores estabelecimentos comerciais em Malange per-tencia ao comerciante e agricultor negro ambanquista NARCISO ANTÓNIO PASCOAL, que efectuava ainda transações de cera, marfim e borracha na região da Baixa do Cassange.

Nos princípios de 1880, o sertanejo europeu de Malange, SATURNINO DE SOUSA MACHADO E OLIVEIRA, organizou uma EXPEDIÇÃO COMERCIAL com sertanejos AMBANQUISTAS e CARREGADORES AFRICANOS e atravessaram as TERRAS DOS NZINGAS/JAGAS, indo até LUBOCO, instalando-se aí em 1884.

O Governo Geral reconstruiu então o Distrito de TALAMUGONGO, nomeando DIRECTOR GERAL da FEITORIA DE CASSANGE, reposto dessa forma, FRANCISCO PEREIRA DOS SANTOS VANDUNEM, veterano, desde 1830, das guerras e da DIPLOMACIA no INTERIOR.

Sob a liderança de VANDUNEM, em 1883, Cassange enviou a Luanda, para ratificar, uma VASSALAGEM à COROA PORTUGUESA.

O Governador Geral, FERREIRA DO AMARAL, diria a propósito:

“... O mais brilhante resultado que porventura tem o nosso Governo nos últimos tempos obtido sobre a diplomacia gentílica ...”

Havia agora necessidade de evangelizar os povos africanos do “interland” a Luanda, que se estendia ao Dondo, Lucala, Malange, Kuela, Cassange até ao longínquo SAURIMO na Lunda.

Em 1885 desembarcaram em Luanda cerca de 50 missionários europeus e americanos pertencentes à MISSÃO METODISTA AMERICANA do Bispo WILLIAM TAYLOR.

Entre eles estava o filólogo suíço HELI CHARCLIAIN.

Os metodistas estabeleceram MISSÕES em Luanda, Dondo, Nhangue-à-Pepe e Pungo Andongo e depois em Malange e ainda e no Caxito e N’Dala-Tando (mais tarde chamada de Cidade SALAZAR).

A instalação destas MISSÕES Estrangeiras, sobretudo Protestantes, alertou o Governo Metropolitano, em Lisboa, a necessidade de promover a MISSIONAÇÃO CATÓLICA portuguesa.

Não havia praticamente missionários católicos portugueses no interior de Angola !

Em 1885, o REAL COLÉGIO DAS MISSÕES ULTRAMARINAS co-meçou a preparar uma nova geração de missionários para a que foi considerada aluta contra a desnacionalização”.

Era uma ambição desmedida, pouco realista, face ao tamanho do Território angolano e à dificuldade de Portugal conseguir responder a essa exigência, atendendo ainda a que os missionários sucumbiam poucos meses depois da sua chegada a Angola, vitimados pelas doenças tropicais do País.

Na verdade, a prática da religião católica em Luanda e mesmo nos territórios vizinhos era sincrética, ou seja, a religião era uma mestiçagem em que se misturavam também chingalamentos e feitiçarias com o Cristianismo.

Por exemplo, MANUEL INÁCIO DOS SANTOS TORRES, pároco do Dondo, foi acusado pelo chefe do concelho de Cambambe de ter autorizado “ritos gentílicos”. Na verdade, alguns párocos católicos, naturais da terra, desculpavam-se e toleravam tais práticas sincréticas.

A Igreja Católica de Angola estava enfraquecida pelo corte de relações diplomáticas entre Portugal Liberal e o Vaticano, entre 1834 e 1841.

Na década de 1830, havia em Angola, 27 clérigos, dos quais 24 eram Filhos do País. Em 1853, o clero estava reduzido a 6 sacerdotes, todos eles Filhos do País.

Então, em 1853 foi fundado o Seminário de Luanda destinado a formar sacerdotes para as Dioceses de Angola e de S. Tomé, mas só começou a funcionar noves anos depois por falta de professores.

Na década de 1870, havia tentativas de substituir os Párocos naturais de Angola por Párocos metropolitanos. Dois membros das principais famílias de Luanda, nomeadamente TIMÓTEO PINHEIRO FALCÃO (Arcediago) e MANUEL MONTEIRO DE MORAIS (Deão), foram substituídos por europeus (metropolitanos). Por sua vez, o Cónego ANTÓNIO JOSÉ DO NASCIMENTO,  Filho do País, educado embora no Seminário de Santarém, na década de 1850 e condenado em 1872 por ser:

“... homem de uma moral corrompida, vivendo amancebado publicamente com mais de uma mulher ...”

e também:

“... Por escritos odientos e subversivos da ordem, no sentido da SONHADA INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA ...”

Na sequência do Decreto de Dezembro de 1868, houve a facilidade de nomeação de sacerdotes nascidos na Ásia para as Dioceses de África, do que resultou em Angola um fluxo de Padres de Goa.

A partir deste decreto, entre 1873 e 1876, só um era nascido em Angola. Metade eram da Índia portuguesa, havendo dois espanhóis e até oito portugueses metropolitanos.

Referente à INSTRUÇÃO e EDUCAÇÃO, em 1864, havia 31 Escolas Públicas em Angola, sendo seis no distrito de Luanda, em que a Escola Principal de Instrução Pública mantinha entre 100 a 200 alunos, em que se incluíam alguns brancos. A maioria era mestiça e negra !

Mas, o interesse e a cobiça metropolitanas sobre Angola eram cada vez maior no momento em que a Colónia se constituía como um ELDORADO.

A TERRA de Angola, feita por marginalizados da Metrópole Portuguesa, desses heróis que se “mestiçaram” física e culturalmente com as filhas negras dos Estados Africanos do TERRITÓRIO, despertava interesse e cobiça aos EUROPEUS !

Aos olhos do próprio Governador Geral da Colónia, FRANCISCO GONÇALVES CARDOSO, as Câmaras Municipais e Julgados eram “... uma perfeita calamidade só servindo para oprimir e vexar os desgraçados habitantes que ficam ao alcance das suas terríveis garras ...” porque os Filhos do País, como Chefes, esperava-se, segundo o próprio Governador “Esta gente acoberta-se com a Lei (a seu favor) ao passo que (mas) a despreza totalmente ...”.

Os “FILHOS DO PAÍS”, particularmente os de Luanda, sentiam-se cada vez mais preteridos dos lugares Administração Colonial a favor dos CANDIDATOS BRANCOS DA METRÓPOLE.

As sucessivas reformas e a ampliação da hierarquia Administrativa e Judicial da Colónia, a partir de 1834, abriam novas oportunidades aos candidatos da Metrópole.

A Legislação homologada na Metrópole a partir de 1870 decretava que todos os lugares administrativo das colónias deviam (tinham!) que ser ocupados por indivíduos nomeados e enviados do Reino, à custa dos Filhos do País.

MAMEDE DE SANT’ANA E PALMA, membro duma das famílias mais antigas da Muxima, desabafava “... por ninguém é ignorado que nesta boa terra os únicos empregos que aparecem, infelizmente, para os indígenas são os públicos ...” de forma que “... vermos privados muitos chefes de família dos cargos que serviam por nomeações do Governo Geral, sendo substituídos por indivíduos de Portugal ...”.

Essa Legislação gerou a frustração pela competição para estes lugares aos FILHOS DO PAÍS, ainda o ressentimento pelo facto dos mais altos cargos militares e civis da colónia, serem, em geral, ocupados por europeus oriundos da Metrópole.

Dizia, a propósito, o Governador Geral ALBUQUERQUE “... o maior incentivo da hostilidade do elemento indígena contra nós é o afastamento em que mais ou menos está dos cargos públicos ...”.

O “indígena” significa já aqui “FILHOS DO PAÍS”, enquanto “nós” significa Metropolitanos.

A população mestiça e negra tornou-se alvo dum racismo cada vez mais explicito por parte dos colonos brancos e estes por sua vez dum racismo social por parte dos coloniais Metropolitanos, ou seja, aqueles que ali estavam transitoriamente !

Em 1890, os empregados da extinta JUNTA DA FAZENDA, todos FILHOS DO PAÍS, pediram a sua exoneração colectiva em protesto contra o tratamento recebido por parte de um oficial superior branco, que ameaçava todos os empregados com demissão, dizendo que eram uns indolentes e estúpidos ...

Os preconceitos raciais dos imigrantes brancos a FILHOS DO PAÍS (Brancos, Mestiços e Negros) e vice-versa pela intensa concorrência entre as Partes para controlar as terras e a mão-de-obra.

Assim, no Cazengo, os roubos violentos da terra, com auge em 1880 geraram “... um ódio de raça permanentemente exibido ...” por entre os indígenas.

Em 1880, entre imigrantes brancos e famílias de moradores negros e mestiços no LUCALA, a animosidade expressou-se, inclusivamente, através de lutas pelo controlo dos novos órgãos constitucionais eleitos dos concelhos, nomeadamente os Julgados e as Câmaras Municipais.

A partir de 1860, a Imprensa periódica tornou-se o veículo principal dos descontentamentos a todos os níveis económicos e sociais da Colónia, influenciando e pressionando o Governo de Lisboa.

O primeiro Jornal foi “A CIVILIZAÇÃO DA ÁFRICA PORTUGUESA” – semanário dedicado a tratar dos interesses administrativos, económicos, mercantis, agrícolas e industriais da África Portuguesa, particularmente em Angola e S. Tomé.

Este Jornal foi fundada em 1866.

Entre 1866 e 1890, fundaram-se mais trinta jornais em Angola. A maioria era de Luanda.

Os Jornais eram apontadas como críticos e adversários do Governo, em que se incluía o JORNAL DE MOÇÂMEDES (1881-1895).

Os primeiros dinamizadores de imprensa local eram brasileiros, como o feitor e engenheiro Francisco Pereira Dutra; brancos metropolitanos, como António Urbano Monteiro de Castro; Alfredo Júlio Cortes Mântua; Joaquim Eugênio De Sales Ferreira e Alfredo Trony, sendo todos eles comerciantes, funcionários e advogados; Feliciano Da Silva Oliveira, proprietário da Fazenda BOM JESUS; Francisco António Pinheiro Baião e Vidal Corte-Real E Canto, oficiais do exército; Caetano De Sousa E Vasconcelos, Juiz de Direito da relação de Luanda; e António Castanheira Nunes, ex-sacerdote católico.

A partir da década de 1870, aparecem publicações periódicas importantes, todas elas críticas das politiquices e actuação do governo colonial, em especial “O CRUZEIRO DO SUL” (1873 – 1878); “O JORNAL DE LUANDA” (1878 – 1882) e “A VERDADE” (1882 – 1888), em que participam os Filhos do País, essencialmente mestiços e negros.

Quanto a estes, Inocêncio Matoso De Andrade E Câmara é um dos redactores do Jornal “O ECO DE ANGOLA”.

Havia mais filhos e netos dos europeus, como João Feliciano Pedreneira; Lino de Sousa Araújo; José Pinto Da Silva Rocha; José De Fontes Pereira, nos anos setenta, ou João Da Ressurreição Arantes Braga e Arsénio do Carpo, nos anos oitenta.

A estes juntou-se uma percentagem de actividades negras mais humildes, nascidos nos concelhos do interior, em que se destacam Joaquim Dias Cordeiro da Mata, de Calunbo; João Inácio de Pinho do Alto Dande; e Mamede de Sant’Ana e Palma, da Muxima.

Foram os membros deste último grupo, que nos anos de 1880, fizeram a chamada imprensa “africana”, em que se identificam os jornais “O FUTURO DE ANGOLA” (1882 – 1891); “O PHAROL DO POVO” (1883 – 1885) e o “DESASTRES” (1889 – 1890) de tom mais radical e independentista.

Segundo o Governador Geral PONTE E HORTA o Jornal “O MERCANTIL”, por exemplo, corria “ostensivamente” por todos os concelhos de Luanda, e ainda nos Dembos, Ambriz, Benguela e Moçâmedes, esgotando-se de imediato os números publicados ... “... porque até os pretos rudes das cubatas da cidade compram ... e depois de uma leitura, lá comentam os seus artigos a seu modo ...”.

Desta forma, as prepotências e extorsões dos chefes militares e outros acontecimentos no interior da Colónia eram divulgadas não só em Luanda, mas também em Portugal.

Por sua vez, as autoridades coloniais perseguiam de maneira mais ou menos explícita e violenta, os redactores dos jornais que criticavam o Governo.

Em 1867, por exemplo, o Governador Geral ANTÓNIO GONÇALVES CARDOSO suprimiu o Jornal “A CIVILIZAÇÃO DA ÁFRICA PORTIUGUESA” por considerar “subversivo”. Em 1873, suspendeu “O MERCANTIL”, que considerava “...alimento das desordens de que a Província adoeça ...”, suspensão levantada de seguida pelo Ministro ANDRADE CORVO, de forma a “... manter ilesa a liberdade de imprensa ...”.

Em 1867, o Presidente da Relação mandou prender durante um mês os três redactores do “A CIVILIZAÇÃO DA ÁFRICA PORTUGUESA”, Francisco Pereira Dutra, Alfredo Mântua e António Urbano de Castro por “abuso de liberdade d’imprensa e por outros crimes”.

Por sua vez, Lino Maria de Araújo publicou, em 1874, um artigo acusando o Governador Geral JOSÉ BAPTISTA DE ANDRADE de “despotismo”, sendo suspenso do seu posto de aspirante da Alfândega.

Enfim, mais outros acontecimentos sucediam-se, o que demonstrava a “fractura” que se evidenciava entre os “COLONIAIS” e os COLONOS”, que cada vez mais se assimilavam ao Grupo crescente dos FILHOS DO PAÍS.

Entre estes acontecimentos, ocorreu uma grave desordem de rua em Luanda, em 1876, em que Alfredo Mântua , redactor de “O MERCANTIL” foi espancado e quase morto por “cidadãos importantes”, em que se incluíam o Juiz da Relação, o Padre João Constantino Rodrigues, o advogado Francisco Joaquim Farto da Costa, Lino Maria de Sousa Araújo e seu irmão Alfredo, além de outros, todos eles ligados à redacção do “O CRUZEIRO DO SUL”.

Esta divisão interna contribuía  fortemente para que os Filhos do País tomassem consciência nacionalista angolana, contra a fragmentada realidade dos pequenos núcleos da ocupação portuguesa, os “enviados da Metrópole, a quem os nativos chamavam de “Kaputos” (Senhores Portugueses).

Disputavam-se entre uns e outros o futuro de Angola !

Os exilados políticos da metrópole e a Maçonaria disseminaram ideias de Libertação entre os Filhos do País.

A Maçonaria fundou inclusive Lojas do GRANDE ORIENTE LUSITANO UNIDO, em Luanda, Benguela e Moçâmedes, em nome da (Liberdade, Igualdade, Fraternidade, Economia e Progresso).

A proclamação da República no Brasil a 15 de Novembro de 1889, cem anos depois da Revolução Francesa, animou os protagonistas da Causa Republicana em Angola.

Artigos na imprensa de Luanda comparavam os casos de Angola e do Brasil, pelo facto deste se ter libertado do domínio português.

Um panfleto anónimo, distribuído em Luanda em 1870, proclamava a “... Ideia da Independência está por toda a parte na Província ... só resta pôr-se em prática a obra ...”

Estes “sonhos” exprimiam, ao fim e ao cabo, a mágoa e a angústia sentidas pelos naturais da Terra, ou os por eles assimilados !, face à crescente rejeição, exclusão e marginalização económica e política, expressa na Legislação Colonial.

Mas os “FILHOS DO PAÍS” encontravam-se profusamente divididos cultural e politicamente de acordo com as respectivas origens sociais.

Se alguns elementos (radicais) reclamavam a independência política de Portugal, em nome do republicanismo; outros (ultra conservadores), entre eles a antiga família luandense BOTELHO DE VASCONCELOS, defendiam abertamente a monarquia portuguesa.

Os “FILHOS DO PAÍS” sentiam-se, contudo, orgulhosos da sua ascendência europeia, chegando alguns a subscreverem o ideal da “UNIÃO LUSO AFRICANA”, contra as pretensões das nações europeias estrangeiras.

Não seria de estranhar, por conseguinte - em Agosto de 1883 -, perante o Governador Geral na cidade do Dondo, que os empregados do comércio, todos Filhos do País tivessem saudado o representante da Nação “porque somos Filhos dela (Nação Portuguesa), embora diversa em raças e cores, mas os corações são portugueses e bem portugueses ...”.

A partir de 1880, a maioria dos “FILHOS DO PAÍS”, trabalhava para assegurar o tempo do Republicanismo em Portugal, convencida de que a aplicação prática das ideias de Fraternidade e de Igualdade na Metrópole traria aos angolanos uma maior autonomia económica e política !!!

Almeida e Albuquerque, Almeida d’Eça (Visconde do Giraúl) e José de Macedo, expressavam a sua dúvida quanto à capacidade colonizadora de Portugal, em 1877, embora os políticos portugueses admitissem (agora sim ..., agora não !), a expansão colonial.

Contudo, o domínio COLONIAL, por volta de 1890, constituía-se como um PROCESSO IRREVERSÍVEL.

As circunstâncias iriam revelar ser problemática a construção desse DOMÍNIO extremamente precário pela conjuntura internacional de carácter competitivo.

Portugal era um País pouco industrializado. Não conseguia prover a Angola e seus restantes Domínios (Ultramarinos), bens primários nem aproveitar convenientemente os géneros tropicais (passíveis de serem exportados para a Metrópole).

A política colonial para Angola dependia da posição de Portugal no contexto europeu, pelo que não restava praticamente senão a atribuição de concessões comerciais, financeiras, extractivas e industriais a grupos estrangeiros !

A EUROPA estava ávida de MERCADOS e de EXPANSÃO TERRITORIAL !

Era evidente que a Inglaterra (apesar de continuar a mais antiga aliada de Portugal) fizesse o ULTIMATUM em 1890 a PORTUGAL, pretendendo apossar-se do Território situado entre Angola e Moçambique, conforme o célebre MAPA COR DE ROSA.

A transformação de Angola numa “RESERVA COMERCIAL” tornou-se essencial para os sectores da burguesia portuguesa, comprometidos com o comércio angolano.

A partir de 1892, pela “nacionalização das Colónias”, passaram a vigorar tarifas proteccionistas nas Alfândegas de Angola, o que impunha ao Governo Colonial novas relações com a Metrópole e outros Territórios Coloniais portugueses, com base na troca (permuta) de algodão, borracha, cera, café, etc., por vinhos e téxteis exclusivamente portugueses.

À preocupação da Monarquia portuguesa sucedeu-se o empenhamento financeiro do indivíduo e de empresas metropolitanas estabelecidas em Angola. Esta situação, resultante da implantação de estruturas económicas, financeiras e administrativas, viabilizava integrar milhares de novos colonos e consertar uma mão-de-obra africana nesse processo de crescimento.

Daí derivaria a necessidade das Autoridades Coloniais definirem o ESTATUTO DOS AFRICANOS, que deixavam de SER PARCEIROS para serem apenas SERVIDORES DOS INTERESSES DO COLONIZADOR !

A Metrópole, porém, temia, cada vez mais, que Angola se tornasse INDEPENDENTE !, por isso os “Colonos” recentes, mal apetrechados técnica e financeiramente, ficavam entregues a si próprios porque a Metrópole não tinha condições para os apoiar.

Aos “colonos” metropolitanos sucedia-se a sua DESCENDÊNCIA em terras de Angola e estes, preteridos depois como todos os outros FILHOS DO PAÍS, ansiavam também pela Independência!

Este propósito circunstancial fazia que a Burguesia da Metrópole (quer em Portugal quer em Angola), se inibisse contra os FILHOS DO PAÍS (antigos e recentes), e favorecessem somente “corredores” em que o investimento transitava num sentido directo e inverso, estabelecido entre elementos fulcrais de sua confiança.

As “sociedades” angolanas ficavam assim plenas de “contrastes”, sobressaindo uma maioria esmagadora de comunidades rurais e uma minoria urbanizada composta de africanos brancos, brancos, negros e mestiços submetidos a europeus ou enviados metropolitanos, que dominavam e se sobressaíam em todos os sectores.

As mudanças operadas na “Colónia de Angola” entre 1890 e 1930, resultantes da Administração Colonial portuguesa, a partir de Lisboa, favorecia ALIANÇAS e COMPADRIOS, por um lado; por outro lado, favoreciam o controlo do domínio colonial efectivo do território.

As populações eram violentadas e marginalizadas perante os seus DIREITOS por confrontos militares e pela Lei, que impunha uma ORDEM discriminatória sobre mais de quatro milhões de africanos brancos, negros e mestiços.

Proclamada a República em Portugal a 5 de Outubro de 1910, estabelece-se a Lei da Separação entre o ESTADO e a IGREJA em 20 de Abril de 1911.

A Lei da Separação entre o Estado e a Igreja declarava livres todos os cultos, proibindo o ensino do Cristianismo nas escolas, nacionalizando os bens da Igreja; e supervisionando as manipulações de culto.

A Lei da Separação tinha um cunho profundamente revolucionário !

A IGREJA CATÓLICA, principalmente em Angola, ficava numa posição de subserviência em relação ao Governo e à Administração Angolana.

As populações africanas desencontram-se entre si e a maioria mestiça e negra assume-se no culto Protestante, que, cada vez mais, se evidenciava e se firmava em Angola.

O VATICANO e os PRELADOS PORTUGUESES cortam relações diplomáticas com o REGIME.

A 4 de Novembro de 1911, o estado de rebelião instalou-se no Moxico; no Planalto de Benguela; no Bié; Lunda e Norte do Cassai, factos que obrigavam o Governo de Angola a pedir auxilio ao Governo Central (em Lisboa) para pôr cobro à situação.

A 7 de Fevereiro de 1912, há boatos levantados na Inglaterra e na Alemanha de que o Governo Central de Portugal chegara a acordo acerca da divisão das Colónias Portugueses em África, enquanto a 8 de Agosto do mesmo ano, o General Norton de Matos, como Governador Geral, funda a cidade do Huambo, no local anteriormente escolhido por ALBINO ESTÊVÃO DE VICTÓRIA PEREIRA (1888/1890), para que ali nascesse “NOVA LISBOA – CAPITAL DO IMPÉRIO AFRICANO”.

A 12 de Agosto de 1914 é decretada a organização de uma expedição militar com destino a Angola e Moçambique, pelo que dias depois, partem de Lisboa forças expedicionárias com destino a Angola, comandadas pelo tenente-coronel ALVES ROÇADAS. Estas forças expedicionárias são reforçadas por tropas comandadas pelo capitão-tenente CORIOLANO DA COSTA a 5 de Novembro desse mesmo ano. A 3 de Fevereiro de 1915, partiram para Angola mais contingentes expedicionários, para fazer face aos ataques das tropas alemãs, pelo decurso da 1ª Grande Guerra Mundial !

Angola, os angolanos (Filhos do País) e os coloniais sofriam as consequências regionais (territoriais), nacionais e internacionais, sem que houvesse entre si alguma homogeneidades de princípios e de interesses.

Por exemplo, a 23 de Maio de 1918, um Decreto do Governo de Sidónio Pais, altera a Lei da Separação entre o Estado e a Igreja, restituindo ao Clero Católico alguma intervenção nos assuntos do culto, embora sem influência material e política perdida anteriormente. O próprio Sidónio Pais assiste a uma Missa na Sé de Lisboa num gesto considerado reconciliatório entre o Estado e a Igreja, a 2 de Março desse ano.

Angola vive, sente e ressente-se desse gesto, avolumando-se antagonismos entre cristãos e não cristãos, mais atraídos por outras práticas religiosas sincréticas.

Por sua vez, há uma tentativa do Alto Comissário Norton de Matos (1921/1924) para impor um paradigma económico de regime capitalista. Essa política passava pelos investimentos em capital, pela institucionalização de um regime de trabalho livre, implementação da moeda fiduciária, crédito acessível, etc..

O seu projecto foi vencido pelos interesses das classes dominantes e a legislação que criara, para protecção do trabalho indígena, acabou por ser revogada em 1924, no final do seu Governo.

Vingou apenas, no âmbito internacional, o consentimento do Alto Comissário Norton de Matos com a implementação em Angola de capitais estrangeiros em empresas majestáticas, nos domínios da Exploração Extractiva, Caminhos de Ferro e Latifúndios diversos. Contudo, a 3 de Janeiro de 1928, ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR (ainda Professor em Coimbra), publicado no Diário Católico “NOVIDADES”, condena a opção do Governo da Ditadura Militar de contrair um empréstimo internacional sem o prévio restabelecimento do equilíbrio orçamental, que o Ministro das Finanças, General SINEL DE CORDES pretende negociar.

Isto tem repercussão em Angola, pois afigurava-se o apoio aos “lobbies” capitalistas portugueses metropolitanos contra os interesses dos “lobbies” estrangeiros já consentidos na Colónia.

Os angolanos (FILHOS DO PAÍS) ficavam à margem dos benefícios consentidos aos imperialistas estrangeiros e à burguesia portuguesa enriquecida, como meros “Autómatos”, que defendiam causas económicas e financeiras, que não lhes diziam respeito.

A burguesia portuguesa estaria na base da substituição do empório estrangeiro crescente convertendo-se, pouco a pouco, num forte regime económico, que através da Metrópole, se estendia materialmente a Angola.

Era a implementação do Estado Novo, mais propriamente do regime Corporativo SALAZARISTA, que acabaria por ser um “polvo” gigante, com tentáculos personificados em cada um dos “Retalhos” da grande “Manta”, que era afinal o Império Português, que se estendia até Timor.

A política de Oliveira Salazar era considerada pelo Estadista, como sendo uma “Política de verdade, política de sacrifício, política nacional!”.

Pela primeira vez era utilizada a fórmula “NADA CONTRA A NAÇÃO, TUDO PELA NAÇÃO”.

É em 1929 que o Banco de Angola substitui o Banco Nacional Ultramarino, como Entidade Emissora fiduciária. Em 1930, porém, em resultado sobre “o problema do crédito de Angola”, surge o conflito entre o Ministro das Finanças, ANTÓNIO DE OLIVEIRA SALAZAR (apoiado pelo Ministro da Justiça MANUEL RODRIGUES JÚNIOR e pelo General ARTUR IVENS FERRAZ e o Presidente da República, General OSCAR CARMONA), e o Governador do Banco de Angola, CUNHA LEAL (ex-líder de um Partido da Direita Republicana).

Já como Ministro das Finanças e das Colónias, SALAZAR demite Cunha Leal do cargo de Governador do Banco de Angola, substituindo-o por MENDES CABEÇADAS e faz votar pelo Governo a sua solução do déficit angolano, passando a coordenar directa e pessoalmente o processo da elaboração do ACTO  COLONIAL.

As dificuldades económicas fazem-se sentir entre os “colonos” de Nagola (Filhos do País), dificuldades aprovadas pela “crise de 1929”. Este facto opõe o Governador Geral da Colónia, General FILOMENO CÂMARA ao Ministro das Finanças e das Colónias, Dr. Oliveira Salazar.

O Governador Geral demite-se !!!

O Governo da Ditadura militar aprova o ACTO COLONIAL a 8 de Junho de 1930 pelo Decreto nº 18.570, promulgado por Oscar Fragoso Carmona (Presidente da República), no dia 28 desse mesmo mês.

O ACTO COLONIAL definia-se numa política Colonial essencialmente “IMPERIAL” e “CENTRALISTA”. Com a sua aplicação agravou-se a situação da dominação, exploração e discriminação a que estavam sujeitas as populações “indígenas”, reduzindo ainda a margem de autonomia atribuída pela I República às estruturas administrativas e do Governo sediado nos Territórios Coloniais.

A 14 de Fevereiro de 1931, o Estado português, na política de Oliveira Salazar (Presidente do Conselho de Ministros), passou a condicionar e a controlar as actividades industriais privadas através da aprovação dos Decretos nº 19.354 e 19.409.

As estruturas associativas de empresários (corporativas ou não) iriam refrear a competição económica entre empresas; assegurar a concentração monopolista e a sobrevivência (dependentista) de pequenas e médias empresas; reforçar a capacidade de intervenção do Estado na economia.

Era uma concepção intervencionista, planificadora, corporativista, proteccionista (talvez tradicionalista!), (talvez imobilista!) da actividade industrial; e as relações entre o Estado e o mercado capitalista. Era um modelo afinal típico do “FASCISMO” com base na estruturação monopolista do Estado.

Tudo passa a depender da autorização ministerial:

-                            Instalação de novos estabelecimentos industriais ou reabertura dos que estivesse paralisados por mais de dois anos;

-                            A montagem ou a substituição de maquinismos de que resultasse no aumento de produção (particularmente se houvesse diminuição de mão-de-obra);

-                            A passagem, por arrendamento ou alienação de estabelecimentos industriais para posse de estrangeiros;

-                            Suspensão, pura e simples, de concessões de patentes de novas industrias e de novos processos industriais.

O ACTO COLONIAL comporta-se em Angola, e nas restantes Colónias portuguesas, como instrumento básico e necessário para fazer frente, e até anular, se possível o “capitalismo” estrangeiro, como os casos da Companhia de Diamantes de Angola; Caminho de Ferro Benguela; Cotonang (exploração de algodão); etc., etc. .

O ACTO COLONIAL agrupa (quer na Metrópole, quer em Angola e noutras Colónias) e defende os “lobbies” capitalistas portugueses, enriquecendo-os e transformando-os afinal num “ESTADO” acima do próprio ESTADO.

As populações angolanas ficam cada vez mais preteridas perante o Conselho Corporativo, que é ilustrado da forma essencialmente estatizante, governamentalista e instrumental.

O Governo do Estado Novo, pelo Decreto-Lei nº 27.003, impõe aos indivíduos e entidades (públicas e privadas) a aceitação dos princípios da Ditadura Fascista; a recusa de “ideias comunistas”; e a denúncia dos que “professem doutrinas subversivas”.

O Governo Português e a Santa Sé assinaram em Roma a CONCORDATA e o Acordo Missionário a 7 de Maio de 1940. As cúpulas da Igreja Católica e o Estado Novo (de Oliveira Salazar) convergem pontos de vista em termos da política interna e colonial e ainda no que respeita à situação internacional, abrangente pela 2º Guerra Mundial.

Estes Acordos marcam o fim do período de conflitos entre o Estado Português (de Monárquico liberal a Republicano demoliberal) e, a Igreja e Acção Católica.

Até à década de setenta, o relacionamento entre o Regime (de António Oliveira Salazar), a Igreja e Acção Católica Portuguesa (lideradas pelo Cardeal Cerejeira, ex-colega e amigo pessoal de Oliveira Salazar), reflectia-se numa colaboração estreita, apoio mútuo, divisão de funções e reconhecimento do Estado como agente imprescindível da tutela da sociedade e da própria Igreja.

Esta “tutela” supervisionante pelo Estado originava, ao fim e ao cabo, um “Regime de subalternização Nacional”, o que, aparentemente, se assemelharia como sendo uma “UNIÃO NACIONAL”.”

Pela primeira vez, Angola englobava-se num figurino global encaixado na UNIÃO NACIONAL. Contudo esta homogeneização abrangente era contraditória em si própria, havendo uma “NAÇÃO UNA e INDIVISÍVEL”, a divisibilidade de elementos que não poderiam nem deveriam ser diferentes uns dos outros.

Por exemplo, em Angola (com referência apenas a este Território Ultramarino), havia uma moeda própria, emitida pelo Banco de Angola, tutelado pelo Banco de Portugal e este pelo TESOURO NACIONAL.

Havia ainda diferentes “espécies” de portugueses no Território, distinguindo-se os cidadãos portugueses de primeira; de segunda (brancos) a que se juntavam os mestiços e os negros assimilados; negros (incivilizados) denominados pura e exclusivamente por “Indígenas”, sendo estes últimos tutelados pela função do QUADRO ADMINISTRATIVO DE ANGOLA e instruídos pelas Missões Católicas sediadas no Território, embora também houvesse função das Missões Protestantes (estrangeiras) para esse propósito.

É certo que os “LOBBIES” estrangeiros cresciam de valor e importância contra o que desejava o Estado Novo, que pretendia favorecer cada vez mais o “capitalismo” estritamente português.

As empresas estrangeiras, apesar de tudo, transformaram-se em “Estados dentro do ESTADO”, porque tinham consigo directamente os Mercados Internacionais de que se serviam, e serviam em condições políticas especiais a nível mundial.

Contudo, através do Decreto-lei nº 31.908 de 9 de Março de 1942, o Governo do Estado Novo determina que as estruturas da Direcção Nacional da Mocidade Portuguesa “MP” passaria a controlar e fiscalizar todas as organizações juvenis não oficiais ou não integradas na Acção Católica.

Mas a “Juventude Indígena Angolana” não tem acesso à Mocidade Portuguesa !!!, nem acesso às Escolas Primárias Oficiais nem aos Liceus (havendo ao tempo apenas o Liceu Salvador Correia em Luanda e o Diogo Cão em Sá da Bandeira/Lubango), para toda a Angola, podendo apenas frequentarem as Escolas das Missões.

Estes “Contrastes” favorecem evidentemente os “lobbies” políticos estrangeiros, interessados em Angola; e por isso nasce a UNIÃO DAS POPULAÇÕES DO NORTE DE ANGOLA – “U.P.N.A.”, liderada por HOLDEN ROBERTO, passando depois a designar-se por UNIÃO DAS POPULAÇÕES DE ANGOLA – “UPA” possivelmente apoiada pelos SERVIÇOS SECRETOS NORTE AMERICANOS.

Contra esta FACÇÃO REVOLUCIONÁRIA, nitidamente de envolvência dos KIKONGOS (do Congo ao Uíge e Dembos), considerados “indígenas”, surge outra, a designada por “MPLA”, que é um conjunto de mestiços, negros e brancos, considerados “assimiladosliderado por AGOSTINHO NETO, que foi preso em Angola no dia 8 de Junho de 1960, facto que originou protestos populares. Da repressão destas manifestações, realizada pelas autoridades coloniais, resultaram diversos mortos e feridos.

Protestando contra a forma como o ESTADO PORTUGUÊS e a COTONAG (empresa majestática) impunham o cultivo de algodão (em regime de monocultura), as populações a Baixa do Cassange (Distrito de Malange), iniciaram um movimento de contestação. Da repressão desta revolta, por iniciativa das Autoridades Coloniais, resultou um número elevado de vítimas.

A 4 de Fevereiro de 1961, elementos do MPLA tentaram assaltar, em Luanda, a Casa da Reclusão Militar, o Quartel da P.S.P. e a Delegação da Emissora Nacional (representada pela Emissora Oficial).

O resultado foi o “massacre” de mais de três mil civis “indígenas”.

Estes “incidentes” marcaram o início da “guerra colonial angolana” ou guerra da Libertação vista pelos naturais angolanos.

Em 15 de Março de 1961 inúmeros “colonos” do Norte de Angola são mortos e feridos pela UPA, num autentico cenário de “TERRORISMO”.

Populações negras, brancas e mestiças dos Distritos do Uíge e dos Dem-bos são simplesmente massacrados por outros negros e brancos da UPA, que não é mais do que um braço armado por interesses estrangeiros em Angola que, em nome da PAZ e dos DIREITOS HUMANOS, estabelecem uma guerra sanguinária !!!

A “Ditadura”(de Oliveira Salazar) intervém com ”forças de terra, mar e ar” reprimindo violentamente as populações civis das regiões de Angola onde ocorriam levantamentos e outras formas de protesto contra a dominação colonial !!!

Contrariando a política Salazarista a OUA (organização de Unidade Africana) reconheceu o MOVIMENTO POPULAR DE LIBERTAÇÃO DE ANGOLA – “MPLA” em 25 de Novembro de 1964 como único representante legítimo do Povo de Angola, garantindo-lhe auxílio diplomático e logístico.

Mas, em Dezembro, um grupo angolano, exilado em Brasaville, divulga um Manifesto intitulado “AMANGOLA”, iniciando-se assim o processo da criação da UNIÃO NACIONAL PARA A INDEPENDÊNCIA TOTAL DE ANGOLA – “UNITA” que resulta em 15 de Março de 1966.

Há uma manifestação de protesto contra a “guerra colonial” em Fevereiro de 1970, que também é contra os massacres cometidos pelos Estados Unidos no Vietname !, ... Pouco depois, a 27 de Julho, morre em Lisboa, António de Oliveira Salazar (entretanto afastado da Presidência do Conselho de Ministros, por acidente grave ocorrido anteriormente que o deixou incapacitado para as suas funções governamentais), com oitenta e um anos de idade, nascido a 28 de Abril de 1886, no Vimeiro (concelho de Santa Comba Dão, distrito de Viseu).

Sucedeu-lhe então, como Presidente do Conselho de Ministros, o Professor Doutor MARCELO CAETANO !, cujo “Governo” foi derrubado pelos CAPITÃES DE ABRIL, em 1974 !

Neste “REGIME” pós 25 de abril de 74, definiu-se, em ALVOR (PORTUGAL), o destino político de Angola, sendo reconhecido os Movimentos Popular de Libertação de Angola: MAPLA, liderado por ANTÓNIO AGOSTINHO NETO; a “FNALA” liderado por HOLDEM  ROBERTO; e a “UNITA, liderado por JONAS  MALHEIROS  SAVIMBI.

O Processo de Descolonização correspondia ao “molde” dos países coloniais, cujos “colonos” eram na sua maioria meros funcionários públicos.

Este tipo de “Processo” não poderia nunca !, ser legitimado para Angola, onde a Independência era legitima e tinha todo o direito de se fazer !, mas que fosse num “Processo de EMANCIPAÇÃO, com opção de nacionalidade consentida para TODOS os cidadãos ali nascidos e ali radicados.

 

NÃO FOI O QUE ACONTECEU DE FACTO  !

 

Neste contexto, a ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL AMIGOS DE ANGOLA – “A.I.A.A.”, sediada em Lisboa, Portugal, representando informalmente a VONTADE expressa dos ANGOLANOS e PORTUGUESES, encaixados na “FAIXA” aludida, promete diligenciar o conserto jurídico nacional de Angola e de Portugal, em termos e trâmites legais para que haja uma DUPLA NACIONALIDADE para TODOS quantos, ali situados, ou lá permaneceram até à Independência e se viram forçados a de lá saírem, a requeiram formalmente.

 

É um PRINCIPIO DE JUSTIÇA, que urge ser feita, a fim de que se reconheça definitivamente que a qualquer CIDADÃO lhe assiste o DIREITO de ter a NACIONALIDADE, que considere SUA !!!

 

Lisboa, 11 de Outubro de 2001

 

Pela da A.I.A.A.

 

 

 

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(Carlos Caldeira de Victória-Pereira)                                                     (Manuel Maria Caldeira de Potes Cordovil)

PRESIDENTE DA DIRECÇÃO                                                                           VICE-PRESIDENTE DA DIRECÇÃO

 

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