HISTÓRIA ANGOLANA
e
a
nossa cultura
A descrição que se segue faz parte do Apêndice
Histórico/Político dum Manual de Iniciação à Política, onde interessou focar em
especial, os factos que tenham a ver com a evolução política do País, desde os
seus primórdios, sem deixar de referir a sua origem e os Povos que
primeiramente habitaram o território que constitui hoje Angola, para melhor
compreensão da forma de ser e de estar dos actuais angolanos.
A História de Angola, como
de qualquer outro País, resulta da com-pilação dos factos mais importantes
ocorridos com o seu Povo, desde a sua Fundação.
Mas, antes de haver
qualquer País/Nação, como instituição (um Povo; um território e um governo),
existia por certo algo que levou deter-minado conjunto de populações autónomas
(habitantes desse Territó-rio) a juntar-se como meio de sobrevivência,
constituindo embrio-nariamente um “Povo”, que por sua vez demarcou um
Território e ele-geu ou submeteu-se a um governador para governá-lo.
Assim, para descrever a
História dum País ou dum Povo, temos de analisar os seus antecedentes, pelo
menos os factos mais próximos (por vezes ao longo de alguns séculos) que conduziram à
constituição desse Povo bem como à Fundação do referido País.
Quando um historiador
estuda esses antecedentes, depara com uma primeira realidade:
- no geral, nos quatro
“cantos do mundo”, os Povos (da mesma raça ou resultante de miscigenação mistura de raças), resultaram sempre de
nómadas populações que não estão fixas num território, que aos
poucos se foram sedentarizan-do fixando num território e sentiram
necessidade de se unirem para defen-derem melhor o seu território. Na maioria
das vezes uniram-se aos vizinhos, para resistirem melhor às invasões de outros
Povos que vi-nham fugidos ou em busca de mais, ou de melhores terras.
É pois fácil concluir que:
1º- Um Povo não surge do
nada nem de repente, muito menos existe desde “sempre”. Foi antes surgindo,
evoluindo e finalmente estabili-zando-se. Essas etapas deram-se de certa forma,
à medida que essas populações assumem determinado tipo de características
comuns, que passam a ser próprias desse Povo, e que por isso o passam a
cara-cterizar.
2º- Quando um Povo deixa de ser nómada e se sedentariza fixa-se num território, procura definir como seu, o território que ocupa, e defende-o dos possíveis invasores, e muitas das vezes dos próprios vizinhos.
3º- Hoje em dia, no actual
estado de civilização em que nos encon-tramos (pelo menos na maioria das
nações),
em qualquer País, devem ser considerados com os mesmos direitos de cidadania
qualidade de cidadão des-se País, todos aqueles que nasceram no
Território País em causa , ou que, autorizados pelas entidades
competentes, nele se fixaram, contribuin-do com o seu próprio esforço e
trabalho e, no respeito pelos habitantes
nacionais do País em causa e nas respectivas Leis, para o
engrandeci-mento do mesmo, independente da raça, do credo político ou
reli-gioso.
- Quando será que “nasceu”
o País que é hoje denominado – REPÚBLICA DE ANGOLA (inicialmente chamado de República Popular de Angola) ?
-
Por
certo que surgiu, como Nação internacionalmente reconhe-cida, após a cerimónia
da Independência, concedida pelo País adiministrante – PORTUGAL, que teve lugar
em 11 de No-vembro de 1975.
- O seu 1º Governo foi liderado
pelo Dr. ANTÓNIO AGOSTINHO NETO, Presidente do MPLA, mas só foi reconhecido a
partir de 24 de Fevereiro 1976 por 80 países (Portugal foi o
primeiro País a reconhecer esse Governo constituído apenas por elementos
afectos ao MPLA).
- No entanto, ANGOLA, como
um TERRITÓRIO UNO, realmente nasceu quando os portugueses conseguiram a
unificação de todo o território limitado pelas actuais fronteiras.
Esse território englobava
os três Reinos ao tempo existentes, que se guerreavam entre si. Por sua vez, esses
Reinos já se haviam constituí-do depois das invasões e conquistas desses
territórios aos povos lá residentes, que também eles já anteriormente haviam
por sua vez invadido essas zonas e conquistado o mesmo território, ou parte
dele, dizimando, assimilando, ou vendido como escravos os vencidos que não
conseguissem fugir.
- Em toda a parte e em
todos os tempos, os invadidos os que já habitavam esse território,
normalmente conquistado ou ocupado pela força dos invasores terão
teoricamente mais razão de chamar seu ao território, do que os invasores que só
con-seguiram a sua posse pela força das armas. No entanto, os vencedores
impõem-se aos vencidos e estes perdem a posse da terra como se nunca a ela
tivessem tido direito.
Em Angola passou-se outro
tanto. Não podem por isso os negros angolanos, seja qual for a sua origem
(etnia) dizer que só eles são os
verdadeiros angolanos, com direito de cidadania.
Na realidade, os mais
antigos habitantes de que há memória naquela zona africana, eram os Bochimanes (de origem provavelmente
não afri-cana),
de pele macilenta/avermelhada - não negra (embora com carapi-nha), que aos poucos foram
sendo dizimados pelos invasores e em-purrados para Sul, restando apenas alguns
deles hoje em dia (como
aconteceu, noutros casos, com os “índios” do continente Americano e os
abo-rígenes da Austrália).
-
Algumas
das etnias consideradas hoje angolanas, são mais recen-tes no Território que os
próprios colonizadores portugueses (de raça branca) que chegaram antes deles,
ou praticamente na mesma altura, conforme os casos.
Assim temos que, a ocupação
do território que é hoje a República de Angola, graças à unificação
conseguida pela ocupação e administração portuguesa, foi a que a seguir
transmitiremos, de acordo com elemen-tos colhidos em diversas fontes, que
indicamos por ordem cronológica e de acordo com o registado ou transmito
oralmente.
Antes porém, é necessário
compreender que Angola está intrinseca-mente ligada a Portugal e à sua História
a partir da epopeia dos Des-cobrimentos Marítimos e, por acréscimo, ao Brasil para
onde foram deportados milhares de angolanos, na condição de escravos e
que tanta influência tiveram, particularmente na cultura popular brasileira.
Da mesma forma Portugal
esteve então intrinsecamente ligado ao comércio do Oriente com o Ocidente, que
anteriormente se fazia por terra, da Ásia ao Mar Mediterrâneo (Egipto) e daí seguia para Europa,
particularmente para Veneza cidade comercial da Península Itálica
para depois serem distribuídas para outras partes, entre elas a Flandres (que se situava a norte da
França), passando
pelos portos do que é hoje Portugal, até à chegada dos muçulmanos à Península
Ibérica, os quais se dedi-cavam essencialmente à agricultura.
Com a permanência dos
árabes muçulmanos na Península, o comércio marítimo decaiu e só voltou a
renascer a partir do século X, quando exactamente nasceu Portugal e os árabes
são aí vencidos expulsos ou assimilados.
Mas, o comércio marítimo
que se processava no Mediterrâneo come-çou a ser muito atacado pelos piratas
turcos e árabes e isso instabili-zava o comércio do Oriente para o Norte da
Europa, controlado pela Flandres, onde já muitos mercadores portugueses se
haviam estabele-cido, tal como nos portos mediterrâneos de Marselha e
Montepelier em França, criando feitorias entrepostos comerciais
sempre que possível. Aliás a filha de D. Afonso Henriques 1º Rei e
Fundador de Portugal Dona Matilde, casou exactamente com Filipe da
Alsácia, Conde da Flandres.
Em Portugal, com a passagem
da 1ª Dinastia
(Afonsina)
para a 2ª Di-nastia (Joanina), no início do sec. XV, a nobreza começou a perder
alguns privilégios e a burguesia endinheirada, ligada ao comércio ma-rítimo
(protegido desde o reinado de D. Dinis, que para o efeito instituiu a Bolsa do
Comércio do Porto, para protecção desse comércio), começou a movimentar-se
no sentido de se minorar os prejuízos causados pelos piratas árabes e turcos.
Foi essa a principal razão de se ter procedido à tomada de Ceuta e de outras
praças do Norte de África, para melhor se controlar a navegação comercial
naquela zona, tão atacada por piratas.
Entretanto, e também por
essas razões económicas, conjuntamente com o factor religioso – “de
espalhar a Fé de Cristo”, o Infante D. Hen-rique (um dos filhos de D. João
I, 1º Rei da 2ª Dinastia em Portugal Joanina), a partir de Sagres
Vila situada na costa algarvia, na ponta mais a Sul e
ocidente da Europa e de Portugal, com a ajuda de sábios marinheiros
estrangeiros, e com valiosas informações sobre a costa africana (tanto da costa
atlântica como da indica), lança-se na epopeia dos Descobrimentos
Marítimos.
Para se fugir aos
intermediários que desde a Ásia até ao Mediterrâneo iam cobrando elevados
impostos sobre a mercadorias que vinham do oriente (especiarias, seda, ouro
e outras preciosidades) e ao prejuízo causado pelos constantes ataques dos
piratas árabes e não só, urgia encontrar-se o “Caminho Marítimo para a Índia”,
contornando a costa africana.
É A PARTIR DAQUI QUE OS
DESTINOS DE PORTUGAL E DE ANGOLA SE COMEÇAM A CRUZAR, e de várias
maneiras.
1º- A Costa angolana ficava
no trajecto marítimo para a Índia, razão pela qual, depois da chegada de Diogo
Cão à foz do Congo (Rio Zaire) em 1482 e do reconhecimento da costa angolana no
ano seguinte, os portugueses foram criando feitorias ao longo da sua costa e
mais tarde para o interior também. Nessa altura apenas habitavam aquele
terri-tório os Bochimanes
e os
recém chegados Kikongos.
Por isso, os portugueses
são tão antigos em Angola como os Kikongos e, muito mais antigos que as
restantes tribos que foram entretanto che-gando do Norte de África
invadindo e conquistando esses territórios.
2º- Com a descoberta do
Caminho Marítimo para a Índia em 1497/98, a maior parte do comércio do oriente,
que se fazia por terra até ao Norte de África e que depois atravessava o
Mediterrâneo a caminho da Euro-pa, foi drasticamente reduzido. Então, algumas
etnias negras que viviam directa ou indirectamente desse comércio migraram
deslocaram-se para o Sul, tendo algumas se fixado em determinados
territórios que hoje constituem Angola.
Dessas migrações vamos
destacar o seguinte:
Sobre o aprofundamento deste conceito - de “Sujeito
Angolano” aconse-lhamos o leitor a ler os MANIFESTOS intitulados “O
SUJEITO ANGO-LANO” e “FEITORIA DE LOANDA”, da autoria do Presidente da
“AIAA”- Eng. CARLOS CALDEIRA DE VICTÓRIA-PEREIRA através da WEB PAGE da Associação
Internacional dos Amigos de Angola, onde estão publicados conjuntamente com
outros Manifestos do mesmo autor, de igual interesse para o conhecimento da
História de Angola até à sua Independência, cujo endereço electrónico é: aiaa.page.vu).
Depois da leitura dos
Manifestos referidos, o leitor verificará que, para além dos Bochimanes e antes
da ocupação portuguesa (que começa em 1521), apenas haviam chegado ao Território angolano, 50
anos antes, os Kikongos (na zona vizinha do Zaire, que hoje já não faz parte de Angola), com foi referido
atrás.
Por isso, voltamos a
repetir que: em Angola, como em qualquer país, “devem ser considerados com
os mesmos direitos de cidadania qualidade de cidadão
desse País, todos aqueles que nasceram no Território País
em causa ,, ou que, autorizados pelas entidades competentes,
nele se fixaram, com-tribuindo com o seu próprio esforço e trabalho e, no
respeito pelos habitantes nacionais do País em causa e nas respectivas Leis,
para o engrandecimento do mesmo, independente da raça, do credo político ou
religioso.
PASSANDO À HISTÓRIA DE
ANGOLA
(como país independente), isto é, após a sua independência em 11 de
Novembro de 1975, pouco há a dizer, para além da existência da Guerra Civil
entre irmãos ne-gros, especialmente ligados à UNITA (considerada força
“rebelde”, por ter continuado em luta) e ao MPLA (actualmente no
Governo, desde a Independência).
FELIZMENTE ESSA GUERRA JÁ
TERMINOU, após a morte do Dr. Jonas Savimbi e reconciliação entre os Chefes da UNITA e do MPLA.
VAMOS DE SEGUIDA INDICAR AS DATAS HISTÓRICAS RELA-CIONADAS COM ALGUNS DOS FACTOS MAIS IMPORTANTES QUE SE DERAM NESTES ÚLTIMOS ANOS.
Em 25 de Abril de 1974,
dá-se em Portugal a “Revolução dos Cravos”, ou dos “Capitães de Abril”, que
pretendiam acabar com a chamada “Guerra Colonial” iniciada em 1961.
Como consequência dessa Revolução, era suposto terminarem as hos-tilidades em todo o Território Ultramarino, da Guiné a Timor, incluin-do Angola.
Era ideia do então
Presidente da República Portuguesa - General ANTÓNIO SPÍNOLA, e de alguns dos
Capitães de Abril que lide-ravam o MFA (Movimento das Forças Armadas),
efectuar-se um Refe-rendo em cada uma das então Províncias Ultramarinas, em
relação ao seu futuro, isto é, que as respectivas populações, negra mestiça e
branca lá nascidas, escolhessem para os respectivos Territórios a forma
administrativa porque se queriam reger. As alternativas apresentadas seriam:
-
permanecerem
Portugueses mas com Autonomia Administrativa;
-
fazerem
parte dum Estado Federado ou,
-
ficarem
completamente Independentes.
Entretanto, como o
Presidente da República Portuguesa - General Spínola era anticomunista, os
comunistas portugueses, liderados pelo seu Presidente – Dr. Álvaro Cunhal e
apoiados por oficiais das Forças Armadas afectos ao MFA, de esquerda e extrema
esquerda, estavam apostados na independência a qualquer custo, do que eles
denomina-vam por Colónias. O seu objectivo era o de entregar os respectivos
Governos das “colónias” a Movimentos também conotados com a ideologia comunista.
Para isso, aproveitaram a demissão do General Spínola de Presidente da
República e precipitaram os acontecimentos, de acordo com os seus objectivos,
não dando qualquer hipótese de Referendo, que seria a atitude mais democrática
e harmoniosa.
Em relação a Angola, foi
estabelecido o célebre Acordo de Alvor (assi-nado em Alvor, no Algarve), onde estiveram
representantes dos três Mo-vimentos de Libertação de Angola: UNITA; FNLA e
MPLA. Com isso, os comunistas portugueses e seus aliados socialistas,
“empurraram” para a independência as populações negras desses territórios, sem
qualquer consulta popular, como estava previsto, fazendo com que a maioria
dos brancos e de muitos mestiços, receosos com a salvaguarda das suas vidas,
viessem para Portugal com o estatuto de “retornados”, que na sua maioria não
seriam mais que refugiados.
Assim, em 11 de Novembro de
1975, em Luanda, o Dr. ANTÓNIO AGOSTINHO NETO, Presidente do MPLA – Movimento
Popular de Libertação de Angola, recebe do representante de Portugal, o Governo
de Angola (que
deveria ser entregue em princípio aos 3 Movimentos que assinaram o Acordo de
Alvor) e
proclama a independência da que se chamou REPÚBLICA POPULAR DE ANGOLA, em que,
segundo ele, o País avançaria “rumo ao socialismo científico” (que significa comunis-mo).
Desta maneira, a dita “guerra colonial” que não chegou a durar 15 anos, e que apesar dela, Angola tinha-se transformado num Território riquíssimo, após a Independência tão “desejada” os próprios angola-nos, iniciaram uma guerra civil que ultrapassou os 25 anos e que des-truiu vidas e haveres, transformando uma terra promissora no caos em que ainda está, apesar da Paz ser decretada e se estar a restabelecer aos poucos a reconstrução do País.
- Jonas Savimbi, líder da
UNITA, não satisfeito com a atitude de Por-tugal entregar o Governo de Angola
apenas ao MPLA, reage e pro-clama a República Democrática de Angola, a partir
do Huambo.
- Por outro lado, e pelas
mesmas razões, Holden Roberto, líder da FNLA e apoiada pelos zairenses, opõem-se
ferozmente contra a FAPLA (forças armadas do MPLA), já então apoiadas pelos
cubanos.
- Em 24 de Fevereiro de
1976, o Governo do MPLA que controlava Luanda e arredores, acaba sendo
reconhecido internacionalmente co-mo o Governo legítimo, primeiramente pelo
Brasil e mais tarde por Portugal (ao tempo sob controle absoluto dos
comunistas e da extrema esquerda revolucionária, seguida de cerca de outros 80
países). Os E.U.A. não reconheceram
então esse Governo, só muito mais tarde.
- Em 07 de Janeiro de 1977
o escudo angolano é substituído pelo Kuanza. No início era uma moeda forte
devido à grande expectativa do potencial desenvolvimento económico de Angola
que, devido à guerra civil e ao “saque” dos cubanos e à falta de experiência
dos go-vernantes angolanos, foi decaindo com uma desvalorização galopante.
- A 27 de Maio de 1977
houve uma tentativa falhada de golpe de Estado, liderado por Nito Alves, um
alto dirigente do próprio MPLA. Vários golpistas foram executados e grandes
perseguições se fizeram a muitos angolanos a partir dessa altura.
- A 27 de Julho de 1978, a ONU – através do Conselho de Segurança das Nações Unidas, adopta a Resolução 435/78 que determina a saída de Angola das forças cubanas, que apoiavam o MPLA e das tropas sul-africanas que, a partir do Namibe, apoiavam a UNITA, numa tentativa de se acabar com aquela guerra fratricida e devastadora.
- A 10 de Dezembro de 1988, o MPLA transforma-se em Partido de ideologia marxista-leninista assumido, e passou a designar-se MPLA-PT. Esta decisão de viragem, ainda mais à esquerda do Governo de Angola, assusta os Americanos e a Administração do então Presidente Reagan dos E.U.A., que continuava a não reconhecer o Governo do MPLA e decide apoiar mais, e declaradamente, a UNITA.
- Entendimentos e Conversações entre os beligerantes foram tidas, com perspectivas de Paz; entre elas, o encontro em 22 de Junho de 1989 entre Jonas Savimbi e José Eduardo dos Santos, em Gbadolite no Zaire.
Infelizmente todos os esforços no sentido dum entendimento sempre fracassaram e a guerra continuou, cada vez com mais minas (que já fizeram muitos mais milhares de estropiados, órfãos abandonados à sua sorte e mortos, do que a dita guerra colonial).
- Em 10/09/79, o primeiro
Presidente da República Popular de Angola - Dr. Agostinho Neto, faleceu em
Moscovo onde foi operado, tendo sido substituído pelo então Chefe do Estado
Interino e Ministro do Plano, o actual Presidente Eng. José Eduardo dos Santos.
- Em 26/04/90, finalmente, o Comité Central do MPLA-PT, pressionado pela ONU e outras potências estrangeiras, aprova o estabelecimento da Democracia, admitindo o multipartidarismo, depois de cerca de 15 anos de Regime Totalitário de Partido Único, permitindo assim a cria-ção de novos Partidos Políticos e a actuação dos outros já existentes.
- Em 28/04/91, o MPLA-PT dá
mais um passo no sentido de se afastar do Marxismo-leninismo, que tinha
adoptado em Agosto de 1978, tro-cando-o por uma via para a
Social-Democracia. Actualmente tem o Estatuto de Observador da Internacional
Socialista, onde estão inscritos a maioria dos Partidos Socialistas mundiais e
alguns Sociais-Democratas.
Com essa atitude, permitiu
assim a entrada de investidores, a coberto da Lei de Investimentos
estrangeiros, já promulgada anteriormente, mas sem resultados palpáveis, bem
como a negociação com FMI – Fun-do Monetário Internacional, com o objectivo de
relançar a economia angolana e a resolução da divida externa, já avultadíssima
e ainda muito longe de ser resolvida.
- Em 31/05/91, em Lisboa, novamente o Presidente José Eduardo dos Santos, em representação do MPLA-PT e do Governo angolano, en-controu-se com Jonas Savimbi como representante da UNITA e, na presença do Primeiro Ministro português - Aníbal Cavaco Silva, assi-naram um Acordo de Paz, ratificando assim o Protocolo de Bicesse as-sinado na Guiné um mês antes, pelo Secretário-geral do MPLA-PT Lo-po do Nascimento e pelo Vice-presidente da UNITA Jeremias Chitun-da. Com este Acordo de Paz previa-se o cessar-fogo entre os belige-rantes, a formação dum exército único e a realização de Eleições Gerais para a Presidência e para a Assembleia da República. Com este pro-missor Acordo terminaria a guerra civil e a Paz parecia estar próxima.
Infelizmente quanto à Paz,
mais uma vez isso não veio a acontecer.
- A 29 e 30 de Setembro de 1992, processaram-se as primeiras Eleições para à Presidência da República e para a Assembleia da República, supervisionada pela ONU.
-
Dos
5.309.000 de cidadãos previsto recensearem-se, foram recen-seados ao todo para
essas Eleições 4.828.468 (segundo outras fontes esse número foi de
4.828.465)
angolanos, isto é, 92% do previsto, es-palhados pelas 18 Províncias Angolanas,
onde foram abertas 5.905 Assembleias de Voto. Houve uma enorme afluência à
ur-nas, cerca de 90% dos recenseados votaram então.
- A 06/10/92 a UNITA denunciou fraude eleitoral por parte do Governo e retira-se das Forças Armadas Unificadas determinado pelo Acordo de Bicesse.
- A 08/10/92, dadas as previsões
de vitória do MPLA e denúncia de fraude por parte da UNITA, o Comité do MPLA
admite a hipótese de Jonas Savimbi participar no Governo, numa tentativa se
chegar a um consenso.
- A 13/10/92, também Holden Roberto da FNLA admite fraudes nas eleições, dando razão à denúncias da UNITA.
- Finalmente, em 17/10/92
são conhecidos os resultados eleitorais:
- PRESIDENCIAIS:
deram a vitória a José Eduardo dos Santos para a Presidência da República com 49,57%,
contra 40,07% de Jonas Savim-bi, sendo o restante distribuído pelos outros 9
candidatos: Alberto Neto do PDA com 2,16%; Holdem Roberto da FNLA com 2.11%;
Honorato Lando do PDLA com 1,92%; Luís dos Passos da Silva Car-doso do PRD com
1,47%; Bengui Pedro João, pelo PSD (ex-MPLA) com 0,97%; Simão Cacete
apoiado pela AD (aliança
de vários Partidos)
com 0,67%; Daniel Chipenda do PDNA com 0,50%; Anália de Victória Pe-reira do
PLD com 0,29%; e. Rui Caldeira de Victória Pereira do PRA com 0,23%. Entre
votos brancos e nulos, em relação aos 91,05% dos votantes, rondaram os 460.000
eleitores
- Em relação aos resultados
para a Assembleia da República (LEGIS-LATIVAS), os resultados apurados deram a
maioria absoluta ao MPLA-PT com 53,74%, a que correspondeu 129 deputados; 34,1%
à UNITA, que ficou com 70 deputados do total de 220; os restantes 24 deputados
ficaram distribuídos pelos outros Partidos com assento na Assembleia da
República, entre os quais se contam com maior re-presentatividade: FNLA com
2,40%; PLD com 2,39%; PRS com 2,27.
- A UNITA entretanto rejeitou oficialmente os resultados das Eleições, que haviam sido consideradas livres e justas pela ONU e portanto a nível internacional. O MPLA recusou então a hipótese de qualquer coligação ou Governo de Salvação Nacional com a UNITA.
Com isto, após um curto interregno de hostilidades, a guerra civil re-acendeu-se.
- A 19/10/92, o Director da
Fundação Jean Monnet, o Senhor Henri Rieben declara publicamente que a fraude
das eleições foi generali-zada, particularmente no interior onde, devido ao mau
tempo, 106 Assembleias de Voto funcionaram sem Observadores Internacionais e
dos Partidos Políticos, para além de apenas o MPLA.
- Em 31 de Outubro de 1994
é assinado o Protocolo de Lusaka, como resultado das negociações entre a UNITA
e o MPLA-PT, iniciadas em Novembro do ano anterior.
Jonas Savimbi não compareceu, tendo o mesmo sido assinado por Eugênio Manuvakola, da Comissão Política da UNITA como seu re-presentante e que mais tarde assumiu a liderança da UNITA RENO-VADA.
Através desse Protocolo,
que não foi mais que um aprofundamento do Acordo de Bicesse, a ONU passou a
desempenhar o papel de fiscaliza-dor.
- Em Abril de 1995, José Eduardo dos Santos encontrou-se em Lusaka com Jonas Savimbi, o qual reconheceu José Eduardo dos Santos como Presidente de todos os Angolanos, dando assim e mais uma vez espe-rança de que todas as hostilidades iriam desaparecer.
Na realidade várias dificuldades surgiram devido ao estatuto de Jonas Savimbi, às exigências da UNITA e às intransigências do MPLA, que não permitiram grandes evoluções em relação ao alcance da Paz, tão desejada pela população extenuada e pelas outras forças Políticas Nacionais e aos observadores internacionais.
- No seguimento dos
encontros de Lusaka:
-
em 19/12/96 os
generais da UNITA voltaram aos seus lugares nas FAA (Forças Armadas Angolanas),
entregando a UNITA o todo o material de guerra que dizia ter. Os observadores
nacio-nais e internacionais ficaram cépticos em relação a essa entrega de
material bélico, que parecia não corresponder de facto à sua totalidade;
- a 11/04/97 dá-se a tomada
de posse do GURN – Governo de Unidade e Reconciliação Nacional, no qual são
distribuídos à UNITA 4 Ministérios e mais sete lugares de Vice-ministros, tendo
dois dias antes tomado posse os deputados da UNITA, que haviam sido eleitos
em 1992. Embora convidado para integrar o Governo, Jonas Savimbi
considerando não ter a devi-da segurança, não só não integrou o Governo como
não com-pareceu à referida tomada de posse.
- A 28 de Agosto de 1997 o
Conselho de Segurança da ONU reforça as sanções contra a UNITA, através da
resolução 1127, que incidiram particularmente no encerramento das delegações da
UNITA no estran-geiro e dificultando o reabastecimento logístico e militar da
UNITA. Apesar disso a UNITA continua a luta armada no Território, enquanto a
UNITA RENOVADA (constituída por alguns deputados, militantes da UNITA, que
defendiam o fim das hostilidades e a via democrática) se mantém na
Assembleia da República.
- A 22 de Fevereiro de
2002 o Dr. Jonas Malheiro Sidónio Savimbi Presidente da UNITA, acabou por
morrer em combate, bem como outros dos seus companheiros de luta, entre eles
algumas das altas patentes da UNITA, que também pereceram na sequência desse
con-fronto armado, no Lucusse.
A UNITA sob o comando de
Jonas Savimbi por mais de três dezenas de anos manteve-se na luta armada,
primeiro contra a dominação portuguesa em África, e depois contra o regime do
MPLA, a quem foi entregue o Governo de Angola Independente, apesar do Acordo de
Alvor, que previa que o Poder fosse entregue a um Governo misto, constituído
pelas três principais forças independentistas, FNLA, MPLA e UNITA.
- Entretanto, o Presidente
José Eduardo dos Santos, interpolado sobre o futuro do Enclave de Cabinda, incorporado
na República Popular de Angola, aquando da independência daquele Território,
referiu que a questão de Cabinda deverá ser sujeito a uma Consulta Popular (não especificando se a nível nacional
ou apenas em Cabinda, nem precisando qual-quer data).
Os motivos de guerra civil
em Angola parecem ter desaparecido com a morte do Dr. Jonas Savimbi e de muitos
dos seus principais colabo-radores militares.
Esperamos por isso que, de
uma vez por todas, se tivesse encerrado este capítulo negro da História
Angolana e com a RECONCILIAÇÃO NACIONAL que entretanto aconteceu, nova aurora
de Paz e progresso prossiga.
A História dum Povo só
termina com a extinção do próprio Povo. Esperemos que a dos Povos Angolano e de
Cabinda deixem de ser o que tem sido, no que teve de negativo, e que passe a
ser algo que orgulhe os vindouros e honre os seus Governantes, pois que as
poten-cialidades humanas e de riquezas naturais são imensas, tanto em An-gola
como em Cabinda.
Cada Povo, cada pessoa,
tem aquilo que merece pelo que fez !
Mas, a todo o momento pode
MUDAR o seu “destino” para melhor, passando a actuar correcta e
conscientemente, respeitando o próximo e a própria Natureza que o abastece !
Perdoar e perdoar-se é o
primeiro passo para a MUDANÇA !
Depois, é só “arregaçar as
mangas”, e, sem egoísmo nem cobiça e espírito de colaboração e inter-ajuda,
reconstruir sem atropelos, e partilhar por TODOS, com justiça e harmonia, a
imensa riqueza que Angola esconde dos menos atentos.
06 de Março de 2002
Manuel Maria C. Potes
Cordovil.