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                                         ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL

                 AMIGOS DE ANGOLA

                                  A.I.A.A.

 

CARTA  ABERTA

- POR  UMA  FLORESTA  VIVA  AO  SERVIÇO  DE  TODOS -

 

Dirigida a,

Suas Excelências:

 

- PRESIDENTE  DA  REPÚBLICA  PORTUGUESA

- PRESIDENTE  DA  ASSEMBLEIA  NACIONAL  DA  REPÚBLICA

- PRIMEIRO  MINISTRO

- AUTORIDADES  CIVIS  E  MILITARES

- AUTARQUIAS  EM PARTICULAR

- PRESIDENTES  DOS  PARTIDOS  POLÍTICOS

 

DIRIGIDA AINDA AOS:

 

- PORTUGUESES  EM  GERAL

- AMIGOS DE ANGOLA  FILIADOS na “AIAA”

  e à  BOA VONTADE  DAS  COMUNIDADES  LOCAIS

 

EXCELÊNCIAS:

 

ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL AMIGOS DE ANGOLA – “AIAA”, com sede em Lisboa, está consciente dos milhares de hectares de floresta que TODOS OS ANOS ARDEM, concretamente em Portugal, por diversos motivos: uns naturais, como sejam as elevadíssimas temperaturas que em certos dias do Verão se fazem sentir, provocando por si só incêndios devastadores, ou favorecendo a propagação de algum pequeno foco de incêndio que ocasional e pontualmente surgiu e o vento faz alastrar; outros acidentais, quer por incúria de algum fumador, que não teve o devido cuidado de apagar o seu cigarro, deitando-o ainda aceso para o chão, junto às bermas das estradas onde abundam sempre ervas secas, ou levado para junto delas pelo vento desde o sítio onde foi jogado fora; outros ainda criminosamente premeditados, devido ao inconsequente posto fogo de piromaníacos, ou a mando de interesse económicos inconfessos.

 

A Floresta é uma riqueza que urge preservar, não só pela madeira que fornece, como pelos respectivos produtos subsidiários, como é o caso da cortiça dos sobreiros, resina dos pinheiros, todo o tipo de frutos secos, oleaginosos ou de sumo, mas também pela diminuição da biomassa e da poluição atmosférica que ocasiona, para além de, em certos casos, favorecer a erosão, diminuir a protecção a nascentes e a cursos de água, e diminuir a indispensável produção de oxigénio natural através do processo clorofilino, provocando ainda um enorme desequilíbrio ecológico a diversos níveis que degrada o Ambiente.

 

Os custos financeiros em matéria prima, acidentes e mortes humanas e de animais, relacionadas com os incêndios, é enorme e preocupante a cada ano que passa.

 

Nesse sentido, e tendo começado já o período estival, a “AIAA” chama também a especial atenção dos governantes, aos mais diversos níveis, desde o Governo Central ao Poder Local, para a necessidade de incrementar ainda mais os meios necessários para reduzir ao máximo o perigo de fogos nas florestas nacionais.

Sabemos que muito já foi feito nesse sentido e que cada ano que passa novas medidas são tomadas, mas certamente não as necessárias nem as mais oportunas, já que o número de fogos e áreas ardidas anualmente pouco ou nada diminuem, dependendo obviamente em particular das respectivas temperaturas que se fazem sentir em cada Verão, mais concretamente.

 

É certo que os inúmeros fogos postos, ou os devido a descuidos de membros da população se devem, os primeiros a mãos criminosas que devem ser severamente punidas e os outros à reduzida educação cívica de muitas pessoas e ao egoísmo de outras, que preguiçam em apagar o cigarro, antes de o jogar fora para qualquer lado, ou daqueles outros que não apagam as fogueiras de acampamentos antes de os deixar, ou ainda daqueles que só se preocupam com o seu bem estar, ignorando que fazem parte do TODO e que o prejuízo alheio também os afectará a eles, mais ou menos directamente, a curto ou médio prazo.

 

Assim, chamamos ainda a atenção de TODOS, incluindo de forma particular e directa os nossos filiados, que a FLORESTA, privada ou pública, é antes do mais e para além de tudo, um PATRIMÓNIO NACIONAL, já que os benefícios indirectos (oxigénio que produz e águas que protegem) a todos, mas a TODOS pertencem, para além da riqueza que directa e indirectamente geram na economia regional e nacional.

Por isso e no mínimo, cada um por si deve ter o máximo cuidado em proceder de forma a não provocar propositada e ou indevidamente um foco de incêndio, nem deixar outros o provocarem, desde o simples cigarro não apagado, até à queimada mal controlada, ou à fogueira indevidamente extinta depois de servir ao propósito para que foi ateada.

Aos proprietários de prédios rústicos, particularmente em zonas florestais ou vizinhas de matas, alertamos para que tenham, neste período em especial, redobrado cuidado e estejam vigilantes, façam os necessários aceiros, e limpem devidamente o coberto vegetal seco, para além de outros cuidados primários básicos de prevenção atinentes aos incêndios.

 

Foi há tempos sugerido, que as pessoas em regime de fundo de Desemprego, fossem aproveitadas para participarem activamente em equipes de vigilância e outras afins, durante o período estival.

Muito embora não estejamos completamente de acordo com essa medida, de forma imposta e generalizada, concordamos contudo que, as pessoas que estando no fundo de Desemprego e os que estão à procura de Primeiro Emprego e ou estudantes, voluntariamente pudessem, nos meses mais críticos, participarem, devidamente remuneradas, em tais tipos de equipes e mesmo de apoio logístico ao combate directo ao incêndio, depois de minimamente preparadas, enquadradas inclusivamente por brigadas Florestais para roçar mato, isto logo a partir da Primavera, ou inseridas em brigadas militares ou para-militares disponíveis para vigilância contra incêndios e acções mais directas, já que os Corpos de Bombeiros mal chegam para na primeira linha acorrerem directamente aos incêndios e combatê-los, particularmente quando por vezes estes surgem em quantidade excessiva, sem dar tréguas por dias e dias seguidos.

 

Para dar mais ênfase a esta nossa preocupação, e no seguimento desta iniciativa de Carta Aberta, recebemos do Presidente da “AIAA” um poema que a seguir transcrevemos, com a devida autorização, relacionado com a Árvore e o que ela representa, não apenas como valor económico e patrimonial, mas ainda outro, quiçá mais elevado que não se contabiliza monetariamente porque, como diz o poema:

“... na sua sombra,

passam gerações de Seres

mortos e vivos de sempre,

a todo o momento...”

 

confiando-lhe seus segredos, de quimeras, tristezas e medos !!!

 

Lisboa, 26 de Junho de 2003

 

OS SIGNATÁRIOS, EM REPRESENTAÇÃO

 

DA

ASSOCIAÇÃO  INTERNACIONAL  AMIGOS  DE  ANGOLA:

 

Carlos Caldeira de Victória Pereira

(Presidente)

Manuel Maria Caldeira de Potes Cordovil

 (Vice-Presidente)

Emanuel Pascoal Fernandes Gonçalves

António Manuel Ilhéu Merca

Alfredo Joaquim Bento

 

 

 

 

 

 

ÁRVORE ..., minha Irmã

 

Há os que andam no Mundo,

buscando a novidade

de outras culturas

nos seus próprios meios

e ambientes,

aí ouvindo, confusos,

opiniões diferentes,

como se pertencessem

a outra Humanidade.

 

Há quem viaje insatisfeito

por entre as gentes,

convicto de se encontrar

a sós com a Verdade

no remoto Mar Morto

da Tranquilidade,

onde caíram pedaços

de Estrelas Cadentes.

 

 

Mas a Árvore ...,

estaca enraizada no terreno,

permanece presa

à terra de acácias selvagens,

àquele chão, onde nasceu

em tempo sereno.

 

E na sua copa,

agitada por suave vento,

trinam aves,

zumbem os insectos do Céu ...,

.......................................

e, na sua sombra,

passam gerações de Seres

mortos e vivos de sempre,

a todo o momento.

 

 

 

Mercês, 13 de Junho de 2003

Carlos Caldeira de Victória Pereira

 

 

OS SIGNATÁRIOS, EM REPRESENTAÇÃO

 

DA

ASSOCIAÇÃO  INTERNACIONAL  AMIGOS  DE  ANGOLA:

 

Carlos Caldeira de Victória Pereira

(Presidente)

Manuel Maria Caldeira de Potes Cordovil

 (Vice-Presidente)

Emanuel Pascoal Fernandes Gonçalves

António Manuel Ilhéu Merca

Alfredo Joaquim Bento

 

 

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