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                                         ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL

                 AMIGOS DE ANGOLA

                                  A.I.A.A.

 

CARTA  ABERTA

 

Dirigida à atenção de:

 

- PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE ÓBIDOS

- AOS NATURAIS DA VILA DE ÓBIDOS

- AOS RESIDENTES DE SEMPRE DO CONCELHO DE ÓBIDOS

 

a ainda:

 

- ANGOLANOS

- NASCIDOS EM ANGOLA

- FILHOS ADOPTIVOS DE ANGOLA

- AMIGOS INCONDICIONAIS DE ANGOLA

 

Caros Senhores:

 

ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL AMIGOS DE ANGOLA, com sede em Lisboa, regista, com apreço, a intenção da “PAULO ALEXANDRE’S CANADIAN FOUNDATION” pretender formalizar oficialmente, se possível, um “CENTER” próprio na Vila de Óbidos.

A “PAULO ALEXANDRE’S CANADIAN FOUNDATION tem sede em Toronto – CANADÁ – P.O. Box 63075 STN CORSO ITALIA, TORONTO on MGH 4H8, head office: Toronto, Ontário, CANADA, e inclui-se na AFRO-LUSO-BRASILIAN AND ASIATIC CENTRES.

 

A referida Fundação Canadiana existe juridicamente em nome pessoal de PAULO ALEXANDRE DIAS MAIA DE VICTÓRIA-PEREIRA, por autorização expressa de seus Pais Carlos Caldeira de Victória-Pereira e de Maria Elisabeth de Jesus Tanganho Dias Maia de Victória-Pereira, em virtude de Paulo Alexandre ter falecido sem Sintra, no dia 21 de Julho de 1998.

Conforme descrito para efeitos de contactos em Toronto, no Canadá, os constituintes desta Fundação, Senhores Eng. Reginaldo Humberto Nunes de Melo, Presidente do Conselho de Administração; Arquitecto Carlos de Sousa Mendes, Vice-Presidente e Rui A. da Silva, Administrador Delegado, definem desta forma o perfil de Paulo Alexandre:

Paulo Alexandre Dias Maia de Victória-Pereira  was born in Luanda, Angola, África, in the brink of a unexpected civil war, Paulo Alexandre at the age 10, left Angola with parents and family, Lisbon, Portugal, was to be his destination and his new home” …etc., etc. .

A constituição jurídica dum “CENTER” próprio da “Paulo Alexandre’s Canadian Foundation”, na Vila de Óbidos, é um Acto relevante e de mais valia para esta Organização, pelo que se segue:

A cinco de Maio de 1919, o Major-Graduado reformado ALBINO ESTEVÃO DE VICTÓRIA-PEREIRA, trisavô paterno de Paulo Alexandre, foi aprovado Administrador Interino do Conselho de Óbidos, cargo de que tomou posse a cinco de Junho, depois da necessária autorização do Ministério da Guerra, por solicitação urgente do Presidente do Ministério e do Ministério do Interior, conforme Ofício 208, assinado pelo seu Chefe de Gabinete José Pereira Pinto em 01 de Março de 1919.

Da Grande Enciclopédia Portuguesa - Brasileira, a págs. 485, referente a Victória Pereira (Albino Estevão), transcrevemos com a devida vénia:

“Oficial do Exército da Arma de Infantaria e Escritor, n. Em Bombarral em 25-XII-1849 e f. Na Marinha Grande em 11-X-1919. Assentou praça, como voluntário, no Batalhão de Caçadores nº 6 em 08-IV-1866, e, sendo Sargento – Ajudante do Regimento de Infantaria nº 5, foi promovido ao posto de Alferes em 3-IX-1879; ao de Tenente em 21-I-1885; ao de Capitão em 4-IV- 1894; e ao de Major-Graduado em 2-XII-1898, tendo sido reformado em 23-VIII-1899.

Serviu nas seguintes Unidades e Estabelecimentos Militares: de 1864, com 15 anos de idade apenas, a 25-I-1886, na Companhia de Guarda Marinhas; de 3-IX-1879 a 10-X- 1880, no Batalhão de Caçadores nº 7; de 11-X-1880 a 9-XII-1884 no Batalhão de Caçadores nº 6; de 10-XII-1884 a 2-XI-1895 no Regimento de Infantaria nº 22; de 3-XI-1885 a 20-VIII-1886, na 2ª Companhia de Administração Militar; de 21-VIII-1886 a 26-XIII-1895 no Regimento de Caçadores nº 6; de 11-II-1896 a 4-VI-1899 no ESTADO DA ÍNDIA, onde exerceu os cargos de Justiça no Conselho de Guerra Territorial e Extraordinário; Comandante do Batalhão de Infantaria, cargo que acumulou com aqueles, e Comandante da Praça da Aguada.”

“Publicou os seguintes trabalhos: ‘Dicionário Sinóptico de Ordens e Circulares do Ministério da Guerra, 1ª, 2ª e 3ª partes’; ‘A Raça Equina de Portugal’; a ‘Nova Lisboa – Uma Exploração Africana’; ‘Marinha Grande’; todos em 1890; ‘Julgar Deus’; Portugal e a Inglaterra, em África’; estes em 1891; e ‘Caldas da Rainha’ em 1912.”

“Distinguiu-se nos seus trabalhos sobre TOPOGRAFIA, especialmente em PLANOS DE RELEVOS, devendo salientar-se o PLANO DE RELEVO das Linhas de Torres Vedras.

Na sua honrosa Folha de Serviços, além de diversos louvores, tinha as seguintes condecorações: Medalha Militar de Prata da Rainha Dona Amélia; o Grau de Cavaleiro da Ordem de Aviz; e a Medalha Militar de Prata de Comportamento Exemplar.”

ALBINO ESTEVÃO DE VICTÓRIA-PEREIRA era filho de DUARTE MÁXIMO DE VICTÓRIA-PEREIRA (professor do antigo Colégio de S. José do Bombarral das Missões Portuguesas, que nos meados do sec. XIX publicou EPÍTOME DE CRONOLOGIA, aprovado pelo Conselho Geral da Instrução Pública em Lisboa, 1862) e de Dona FRANCISCA GUILHERMINA CARIA DE PIMENTEL PEREIRA DE VICTÓRIA-PEREIRA, (senhora brasonada) que vivia num solar de família, na Quinta que mais trade chegou a pertencer aos Sepúlvedas.

ALBINO ESTEVÃO casou-se, em Leiria, com Dona CAROLINA AMÉLIA CACCELA LOBO DE VICTÓRIA-PEREIRA (falecida em Óbidos em 1913, onde jaz no jazigo de família Victória-Pereira no Cemitério de Óbidos), filha de JOSÉ GUERREIO LOBO e de Dona JOANA CÂNDIDA CACCELA LOBO, (são conhecidos os seus sobrinhos João Rodrigues Lobo e o General Joaquim Rodrigues Lobo).

Conforme o livro “CRÓNICA DE FAMÍLIA” da autoria de Ruth Mac-Mahon, neta paterna de Albino Estevão e de Dona Carolina Amélia, transcrevemos o seguinte, com a devida vénia:

“Nosso Avô paterno era uma criatura extraordinária, valorosa, dotada, criativa, cheia de empenho e vontade de vencer ...”

“...Escreveu o romance com o título de ‘Nova Lisboa’ e o subtítulo ‘Uma Exploração Africana – romance científico’, possivelmente empolgado pela expedição de Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens, seguindo o itinerário, que estes exploradores descrevem nos seus dois livros, intitulados ‘DE BEN-GUELA ÀS TERRAS DO IACA’ ”

“...O Jornal do Comércio, datado de 10 de Março de 1944, no seu Suplemento Semanal, refere-se ao livro esquecido, chamando a atenção para que já em 1890 se previa uma cidade chamada Nova Lisboa, (Huambo), no coração de Angola, pretendendo esse artigo tirar do esquecimento um livro que demonstra grande estudo sobre as possibilidades então conhecidas de Angola, escrito num cantinho de Portugal (Óbidos), revelando a alma viril e um patriotismo vibrante do autor.”

“E conclui o articulista: ‘Houve de facto, por aqui, ainda em tempos não muito distantes, vários heróis como aquele que Victória-Pereira idealizou para criar a sua “Nova Lisboa’.

“No mesmo artigo também é referido que ALBINO ESTEVÃO dedica o seu livro aos exploradores ROBERTO IVENS, BRITO CAPELO e SERPA PINTO, recordando com saudade a ‘Verve’ cintilante de Roberto Ivens, de que fora condiscípulo ...”

 

Aproveitando-se da ideia, (da cidade de Nova Lisboa idealizada por ALBINO ESTEVÃO DE VICTÓRIA-PEREIRA), o Alto Comissário NORTON DE MATOS funda a cidade de NOVA LISBOA, em 1922, no Sobado do Huambo, último baluarte nativo contra a ocupação portuguesa e também dos restantes investidos dos Sobados do BIÉ, LUENA, BAILUNDO, CACONDA e KUANHAMA, além de outros mais.

Em Abril de 1921, pela segunda vez, o General Norton de Matos chega a Luanda, na qualidade de Alto Comissário, cargo que ocupa até 1924.

De 1912 a 1915, o ainda então Major do Estado Maior, José Norton de Matos foi Governador Geral de Angola.

A acção desenvolvida por Norton de Matos é considerada a tentativa mais significativa e relevante para impor definitivamente um paradigma da economia capitalista.

O núcleo duro dessa política passava pelos investimentos em capital estrangeiro; pela instituição de um regime de trabalho assalariado livre; implantação de moeda fiduciária; e crédito acessível, etc. .

O seu projecto chocou, no entanto, com o interesse das classes dominantes que a ele se opunham pela entrada do capital e empresas estrangeiras em Angola, nomeadamente o princípio do Caminho de Ferro de Benguela e outras; e também contra a legislação criada para protecção do trabalho indígena, que acabou por ser revogada em 1924.

É com o Caminho de Ferro de Benguela, que irá passar pelo centro do Sobado do Huambo, que Norton de Matos funda a cidade de Nova Lisboa, em pleno coração de Angola, exactamente em conformidade com as coordenadas geográficas calculadas por Albino Estevão de Victória-Pereira, para a sua idealizada NOVA-LISBOA.

Em 1884, houve a CONFERÊNCIA DE BERLIM, onde os países europeus definiram as condições em que se procederá o domínio do continente africano.

A partir de então definiu-se um novo conceito do DIREITO COLONIAL baseado na ocupação efectiva dos territórios africanos, que anulou os DIREITOS HISTÓRICOS TRADICIONAIS, sobretudo dos portugueses, os quais se traduziam na prioridade da descoberta.

Depois desta data, acelerou-se o processo das conquistas militares em África, (força pela força), por parte das potências europeias.

Paralelamente, acontecem as Expedições de Hermenegildo Capelo e de Roberto Ivens, que atravessaram a África, de Angola (Moçâmedes) à Contra Costa (Moçambique); a Expedição Científica “Pinheiro Chagas” de Serpa Pinto e Augusto Cardoso; a de Henrique Dias de Carvalho, etc. .

São estas expedições, entre outras, que estabelecem, por ordem do Rei D. Luís de Portugal, e por visão surpreendente, Tratados de Vassalagem com os Régulos Angolanos, em que estes submetem e são submetidos também pela Coroa Portuguesa, com benefício de muitos títulos honoríficos nobiliárquicos passados às gentes nativas angolanas, nomeadamente de Barões, Viscondes, Duques e até de Reis, conforme o seu grau de importância.

Estes Tratados colmatam e justificam a presença dos portugueses nas diversas partes de Angola.

Já no reinado de D. Carlos, iniciado em Novembro/Dezembro de 1888, fomos todos nós confrontados com o ULTIMATUM INGLÊS a 01 de Janeiro de 1890, em resposta à nossa ocupação das regiões compreendidas entre Angola e Moçambique, referentes ao conhecido MAPA COR DE ROSA.

Assim, do prosseguimento dessa estratégia, o PRINCÍPIO DE OCUPAÇÃO EFECTIVA, consagrado definitivamente após a CONFERÊNCIA DE BERLIM, substitui o PRINCÍPIO DO DIREITO HISTÓRICO.

NOVA LISBOA, idealizada no livro de Albino Estevão de Victória-Pereira é um REGISTO EFECTIVO da nossa ocupação de então no coração de Angola, e mais do que isso, essa grande e megalómana cidade, é a própria passagem da capital portuguesa, ou seja de Lisboa para Nova Lisboa.

Como se disse, em 1896, o então Major-Graduado ALBINO ESTEVÃO DE VICTÓRIA-PEREIRA, acompanhado de sua Esposa Carolina Amélia de Victória-Pereira e das filhas Maria Albertina Amélia e Branca Esménia e do filho Eduardo Américo (seu companheiro de sempre) partiu para a Índia, integrado na Expedição formada por vários militares, por causa da Revolta dos Ranes, em princípio resultante das consequências do Tratado Luso-Britânico, em face da construção e exploração do Caminho de Ferro do porto de Mormugão para a Índia Inglesa.

Ali, na Índia dita Portuguesa, o Major-Graduado Albino Estevão sofre um acidente grave provocado pela queda do cavalo, que montava, fracturando um membro inferior, que o obrigara a terminar a sua brilhante e promissora carreira militar.

Chegado a Portugal, como Administrador do Concelho de Alenquer ali residiu, desde 30 de Agosto de 1899 até 1904, data em que se transferiu para a Vila de Óbidos.

Em Óbidos, ajudou financeira e economicamente a recuperação das suas MURALHAS e do seu Palácio (que é presentemente uma Pousada) que estavam completamente em ruínas, iniciativa antecedida pelos Moreiras e os Gamas, que não conseguiram levar a cabo a conclusão dessas obras de vulto.

Hoje, a Vila de Óbidos é aquilo que é, porque foi recuperada dum conjunto de ruínas por um obreiro extraordinário, que é exactamente ALBINO ESTEVÃO DE VICTÓRIA-PEREIRA.

É neste contexto histórico, com laços familiares, que a “AIAA” – Associação Internacional Amigos de Angola se congratula com a presença de um “CENTER” próprio da “Paulo Alexander’s Canadian Foudation” na mui nobre Vila de Óbidos.

Que assim seja, se tal for burocrática e legalmente possível.

 

Lisboa, 15 de Julho de 2003

 

OS SIGNATÁRIOS, EM REPRESENTAÇÃO

 

DA

ASSOCIAÇÃO  INTERNACIONAL  AMIGOS  DE  ANGOLA:

 

Carlos Caldeira de Victória-Pereira         Manuel Maria Caldeira de Potes Cordovil

Presidente                                                                 Vice-Presidente

 

 

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